Identificada associação entre stress e doenças cardiovasculares no cérebro

Estudo publicado na revista “The Lancet”

16 janeiro 2017
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Investigadores americanos associaram, pela primeira vez em humanos, a atividade numa estrutura cerebral envolvida no stress, a amígdala, ao risco subsequente de doença cardiovascular, revela um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 

O estudo, liderado pelos investigadores do Hospital Geral de Massachusetts e da Escola de Medicina Icahn, nos EUA, também identificou uma via que conduz à ativação da amígdala através do aumento da atividade do sistema imunitário e ao aumento da incidência de eventos cardiovasculares.
 

Apesar de a associação entre o stress e a doença cardíaca já ser conhecida há muito tempo, o mecanismo que medeia esse risco ainda não tinha sido completamente esclarecido. Estudos anteriores realizados em animais já tinham demonstrado que o stress ativa a medula óssea a produzir leucócitos, conduzindo à inflamação arterial. Este estudo, liderado por Roger K Pitman, sugere que existe uma via análoga nos humanos. Adicionalmente foi identificada, pela primeira vez em modelos animais e em humanos, a região do cérebro que associa o stress ao risco de enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.
 

O artigo inclui dois estudos complementares tendo o primeiro analisado os registos médicos e imagiológicos de 300 indivíduos que foram submetidos a tomografias cerebrais. Foi utilizado um radiofármaco que mede a atividade de áreas cerebrais e também reflete a inflamação nas artérias. Nenhum dos indivíduos tinha cancro ativo ou doença cardiovascular quando foram submetidos aos procedimentos imagiológicos.
 

O segundo estudo envolveu a participação de 13 indivíduos com antecedentes de distúrbio de stress pós-traumático. Foram avaliados os níveis de stress percecionado tendo os participantes também sido submetidos a uma tomografia por emissão de positrões para medição da atividade da amígdala e da inflamação arterial.
 

No primeiro estudo verificou-se que 22 indivíduos sofreram um evento cardiovascular, incluindo enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e episódios de angina no período de acompanhamento. O nível anterior da atividade da amígdala previu fortemente o risco de um evento cardiovascular subsequente.
 

A atividade da amígdala foi também associada à data em que os eventos ocorreram, aqueles com níveis mais elevados de atividade apresentaram eventos mais cedo, comparativamente com aqueles com um menor aumento. Verificou-se também que uma maior atividade da amígdala foi associada a uma atividade elevada das células sanguíneas formadoras de tecido na medula óssea e do baço e a um aumento da inflamação arterial.
 

No outro estudo, verificou-se que os níveis de stress dos participantes foram fortemente associados à atividade da amígdala e inflamação arterial.
 

Zahi A. Fayad, um dos coautores do estudo, conclui que este estudo pioneiro fornece mais evidências para a ligação entre o coração e o cérebro, ao desvendar a associação entre a atividade da amígdala em repouso e a ocorrência de eventos cardiovasculares independentemente dos fatores de risco cardiovasculares estabelecidos.
 

Os investigadores acrescentam ainda que estes achados sugerem várias potenciais oportunidades para reduzir o risco cardiovascular atribuível ao stress. Desta forma os indivíduos com elevado risco de doenças cardiovasculares devem adotar abordagens de redução de stress se forem alvo de um elevado grau de stress psicossocial.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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