Identificada a causa da resistência ao tratamento do cancro colo-retal

Estudo publicado na “Nature Medicine”

25 janeiro 2012
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Investigadores espanhóis descobriram um mecanismo responsável pela resistência ao tratamento do cancro colo-retal. O estudo publicado na revista “Nature Medicine” dá conta que uma mutação no oncogene EGFR causa a resistência ao tratamento com o fármaco cetuximab, um anticorpo monoclonal utilizado no tratamento desta doença.

 

O cancro colo-retal é a forma mais frequente de cancro nos homens e nas mulheres (quando analisados em conjunto ) e apresenta uma incidência crescente. No entanto, na última década, o tratamento foi revolucionado com a introdução de novos fármacos quimioterápicos e tratamentos direcionados contra alvo celulares, tais como os anticorpos monoclonais ou outros fármacos  utilizados no tratamento do cancro colo-retal.

 

Neste estudo, os investigadores do Hospital del Mar, em Barcelona, Espanha, constataram, tanto em modelos animais, como em pacientes com cancro colo-retal, que a mutação no oncogene EGFR ocorria durante o desenvolvimento da doença impedindo a eficácia do tratamento. De acordo com os autores do estudo, esta descoberta irá beneficiar um grande número de pacientes dado que o cancro colo-retal é segundo cancro mais comum e o cetuximab é dos fármacos mais utilizados no seu tratamento.

 

Contudo, o estudo também revelou que os tumores que adquirem este tipo de mutação respondem ao tratamento com um fármaco similar, o panitumumab, levantando assim implicações clínicas importantes.

 

Assim, será interessante explorar se haverá outras mutações similares que causam resistência a outros anticorpos utilizados com frequência noutros tipos de cancro, nomeadamente no da mama.

 

"A descoberta desta mutação pode explicar, a nível molecular, os benefícios obtidos por alguns pacientes com cancro colo-retal e tratados com panitumumab e a ineficácia do tratamento com cetuximab", explicou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Clara Montagut.

 

A investigadora conclui que estes resultados justificam o desenvolvimento de testes para detetar a presença desta mutação nos pacientes que estejam a ser tratados com cetuximab para o cancro colo-retal. Deverão ser realizados mais estudos para validar se esta mutação contribui para a resistência ao cetuximab noutro tipo de tumores no qual este fármaco também é utilizado, como é o caso do cancro da cabeça e garganta.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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