Identificação dos perfis metabólicos com implicações na neuropsiquiatria

Estudo publicado da Universidade de Coimbra

29 maio 2013
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Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) identificaram, pela primeira vez, “os perfis metabólicos da população portuguesa com implicações nas doenças neuropsiquiátricas”, incluindo as toxicodependências.
 

Manuela Grazina, que liderou a equipa multidisciplinar que desenvolveu o estudo, refere que estes resultados além de permitirem “melhorar a segurança dos medicamentos”, assumem-se como uma “ferramenta essencial para a prática clínica”, pois podem “evitar o surgimento de efeitos patológicos”, a partir da prescrição da medicação e dose mais adequadas.
 

“Mais de um milhão de portugueses” poderá “beneficiar deste conhecimento”, admite a investigadora e docente da Faculdade de Medicina da UC, que também é coordenadora do Laboratório de Bioquímica Genética do Centro de Neurociências e Biologia Celular.
 

A notícia avançada pela agência Lusa refere que este estudo se debruçou na identificação das “alterações genéticas, características dos perfis de metabolização do gene CYP2D6, que codifica uma das principais enzimas envolvidas no metabolismo dos fármacos utilizados para tratar doenças neuropsiquiátricas”, como por exemplo a depressão e as toxicodependências.
 

Partindo das múltiplas formas do CYP2D6, o estudo identificou os “quatro principais perfis de metabolização [do gene] – ultrarrápidos, muitos lentos, extensivos e intermédios” –, concluindo, designadamente, que os dois primeiros são altamente problemáticos, porque “a eficácia do fármaco administrado depende da forma como o organismo o processa”, salienta Manuela Grazina.
 

“Se a reação é muito lenta, o medicamento acumula-se no organismo e pode gerar efeitos indesejáveis”, mas se é muito rápida “o fármaco é degradado, influenciando igualmente a resposta terapêutica”, afirma a investigadora, explicitando: “As características genéticas de cada indivíduo decidem a eficácia dos fármacos consumidos e o aparecimento de efeitos tóxicos”.
 

O estudo, que envolveu 300 voluntários adultos portugueses, de várias regiões, permite concluir que mais de 665 mil portugueses possuem o perfil de metabolizadores lentos e cerca de 496 mil ultrarrápidos, de acordo com a extrapolação para a população portuguesa, efetuada em função dos Censos 2011.
 

Atendendo à importância deste gene – que “entra na metabolização de 25% dos fármacos regularmente utilizados na prática clínica” (entre os quais antidepressivos, analgésicos e opióides) – e ao impacto social e económico causado por doenças neuropsiquiátricas (como a depressão) ou pela dor crónica, “é crucial” investir neste tipo de estudos para promover a “prevenção a longo prazo”, adverte Manuela Grazina.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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