Idade materna influencia sintomas de depressão das filhas

Estudo publicado no “Journal of Abnormal Psychology”

20 novembro 2015
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As filhas das mulheres que deram à luz aos 30 ou mais anos de idade são mais propensas a terem sintomas de depressão na idade jovem adulta, sugere um estudo publicado no “Journal of Abnormal Psychology”.
 
“O estudo sugere que a idade materna avançada está associada aos sintomas de depressão, ansiedade e stress das mulheres jovens adultas”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Jessica Tearne.
 
Para o estudo os investigadores da Universidade da Austrália Ocidental recolheram informações psicológicas e demográficas de mulheres grávidas que tinham participado no Western Australian Pregnancy Cohort (Raine) Study. A descendência das participantes foi submetida a várias avalizações psicológicas ao longo de 23 anos. 
 
Os investigadores analisaram os níveis de vários sintomas de depressão, ansiedade e stress relatados por 1.220 descendentes com 20 anos. Estes resultados foram comparados com a idade da mãe e do pai na altura em que a criança tinha nascido. As filhas cujas mães tinham 30 a 34 anos na altura em que deram à luz diziam sentir elevados níveis de stress. Aquelas cujas mães tinham mais de 35 anos na altura do nascimento apresentavam níveis significativamente elevados de stress, ansiedade e depressão, comparativamente com as filhas cujas mães tinham menos de 30 quando estas nasceram.
 
Apesar de cinco por cento das mães terem menos de 20 anos quando deram à luz, não houve qualquer efeito no desenvolvimento de sintomas depressivos das filhas. A idade dos pais na altura do nascimento também não teve efeito nos filhos.
 
Embora a causa exata desta relação não seja clara, Jessica Tearne suspeita que esta não é necessariamente biológica. "Uma hipótese pode ser as dificuldades que podem ocorrer na relação mãe-filha devido a uma grande diferença de idade entre as duas. Pode ser que a diferença de idade de trinta ou mais anos entre mãe e filha conduza a uma diferença significativa nos sistemas de valores que podem causar tensões na relação, levando ao stress, preocupação e tristeza na criança, especialmente durante a transição para idade adulta jovem”, disse a investigadora.
 
Outra possível explicação pode estar relacionada com o facto de as mulheres que deram à luz após os 30 anos estarem na faixa dos 50 anos no momento em que as filhas foram avaliadas e, portanto, mais propensas a estarem a passar por problemas de saúde associados ao envelhecimento. Isso também pode ter conduzido a níveis mais elevados de sintomas nas filhas. Outros estudos têm sugerido que as filhas são mais afetadas por problemas de saúde das mães do que filhos, o que poderá explicar por que motivo este efeito só aparece em filhas, disse a investigadora.
 
"É importante lembrar, também, que o estudo analisou sintomas de angústia, não tendo sido feito um diagnóstico clínico. Pode ser que a descendência das mães mais velhas esteja em risco de um maior número de sintomas de depressão, ansiedade e stress, mas isto não significa necessariamente que estas vão desenvolver um distúrbio mental diagnosticável”, conclui uma das outras autoras do estudo, Monique Robinson.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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