Idade materna avançada não prejudica saúde futura da criança

Estudo do Instituto de Investigação Demográfica Max Planck

12 setembro 2012
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A idade materna avançada não parece prejudicar a saúde da criança na idade adulta, sugere um estudo do Instituto de Investigação Demográfica Max Planck, na Alemanha.


Há muito que se acredita que as mulheres que dão à luz em idade avançada têm crianças menos saudáveis quando estas atingem a idade adulta. Isto ocorre devido à degeneração do corpo da mãe como resultado dos efeitos fisiológicos, nomeadamente da qualidade dos oócitos ou da placenta enfraquecida.


Contudo, este novo estudo realizado por investigadores alemães, que contou com a participação de 18 mil crianças e as suas mães, sugere que o que afeta a saúde dos descendentes não é a idade das mães, mas o seu nível de educação e o tempo que esta sobrevive após o nascimento do filho.


O estudo apurou que as crianças que nasceram quando as mães tinham entre 35 e 44 anos não eram, na idade adulta, menos saudáveis do que aquelas cujas mães deram à luz quando tinham entre 25 e 34 anos. Apesar de ser verdade que uma idade materna avançada está associada a um maior risco de aborto e trissomia 21, no que a respeita à saúde na idade adulta, uma tenra idade das mães pode ser prejudicial. Os investigadores constataram que as crianças cujas mães deram à luz com 24 anos ou menos apresentavam um maior número de condições diagnosticadas, faleciam mais cedo, mantinham-se pequenas e tinham uma maior probabilidade de serem obesas na idade adulta.


Estes foram os resultados encontrados quando os autores do estudo ajustaram o nível de educação das mães e a idade com que faleceram. Contudo, quando estes fatores não foram tidos em conta, de facto, as crianças cujas mães tinham dado à luz tardiamente ficavam doentes com mais frequência. Os descendentes das mulheres que deram à luz entre os 35 e 44 anos apresentavam uma incidência 10% maior de problemas de saúde, comparativamente com os filhos de mulheres que foram mães entre os 25 e os 34 anos.


Contudo, quando estes resultados foram corrigidos, este efeito desceu para os cinco por cento e deixou de ser estatisticamente significativo. “Os dados sugerem que, o que parece à primeira vista, um efeito negativo da idade materna avançada não é mais do que uma ilusão ditada pelo nível de educação da mãe e da idade em que a criança perde esta”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Mikko Myrskylä.


Os investigadores concluem que os fatores que parecem ser mais importantes para a saúde na idade adulta é o nível de educação da mãe e o número de anos que a mãe e o filho convivem. Quanto mais cedo a criança perde a mãe pior será a sua saúde na idade adulta. Este facto pode estar associado aos efeitos fisiológicos que acompanham a perda precoce da mãe ou porque o tempo em que suporta económica e emocionalmente o seu filho é reduzido.


Por outro lado, vários estudos indicam que um baixo nível de educação é prejudicial para a saúde dos descendentes. Assim, o efeito da idade avançada não se aplica às crianças dos dias de hoje, dado que a relação entre a idade materna e o nível de educação é inverso. Atualmente, quanto mais tarde a mulher dá à luz maior é o seu nível de educação.


ALERT Life Sciences Computing, S.A. 

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