Hospitais poupam 45 milhões de euros por ano se reutilizarem dispositivos médicos

Ordem dos Médicos defende medida

22 abril 2015
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A Ordem dos Médicos (OM) defende a reutilização de dispositivos médicos e cirúrgicos de uso único, considerando que estes são seguros tanto para doentes como para profissionais e alegando que esta prática se traduziria numa poupança anual de cerca de 45 milhões de euros aos hospitais públicos.
 
De acordo com uma notícia avançada pela agência Lusa, a OM vai realizar no dia 23 de abril um debate sobre a reutilização de dispositivos médicos (como máquinas de sutura, tesouras de corte ou dispositivos cardíacos), considerando que esta prática ainda se encontra “condicionada por um jogo complexo de interesses”.
 
“Há ainda um grande receio e uma falta de debate, condicionado por interesses, na questão do reprocessamento”, referiu o bastonário José Manuel Silva à agência Lusa.
 
Em 2013, o Ministério da Saúde publicou um despacho sobre os dispositivos médicos de uso único reprocessados com o intuito de “estabelecer condições adequadas de segurança que permitam alcançar poupanças indispensáveis”.
 
Na altura, a Associação dos Enfermeiros de Sala de Operações em Portugal considerou-o um “atentado à saúde pública”.
 
Na opinião do bastonário, “é possível alargar o reprocessamento, mantendo ou até melhorando a qualidade”, alegando ainda que “não há nenhuma razão técnica que possa limitar, em condições bem definidas, a reutilização/reprocessamento de dispositivos médicos”.
 
O reprocessamento pode até trazer mais segurança, insiste o bastonário, dado o dispositivo “já ter sido usado e demonstrado que não falha”.
 
Para a OM, a decisão de utilização única de um dispositivo cabe geralmente à própria indústria e “visa mais os interesses de quem o produz do que motivações técnicas”.
 
Quando um dispositivo é utilizado, este é enviado para reprocessamento numa fábrica certificada, onde são retirados todos os contaminantes. De seguida, o dispositivo é limpo, esterilizado, selado e passível de rastreabilidade.
 
Segundo a Lusa, esta é uma prática seguida em hospitais portugueses, como, por exemplo, no Hospital de São João, no Porto, e em cerca de 60% dos cinco mil hospitais dos EUA.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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