Hormonas sexuais e o risco de autismo

Estudo publicado na revista “Molecular Autism”

11 setembro 2014
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As elevadas taxas de perturbações do espetro autista podem estar associadas a alterações na via de sinalização do estrogénio no cérebro, dá conta um estudo publicado na revista “Molecular Autism”.
 
As perturbações do espetro autista são um conjunto de doenças que afetam o desenvolvimento cerebral e são habitualmente reconhecidas como alterações na interação social, na comunicação verbal e não-verbal, comportamentos restritivos e repetitivos. 
 
Estudos anteriores já tinham apurado que estas doenças parecem ter uma base genética e são quatro vezes mais comuns nos homens do que nas mulheres. As perturbações do espetro autista têm também sido associadas a elevados níveis da hormona testosterona, mas ainda não se sabia se havia uma relação entre estas doenças e a sinalização desta hormona sexual. 
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade de Georgia Regents, nos EUA, analisaram o tecido cerebral de 26 indivíduos, 13 dos quais com perturbações do espetro autista e 13 sem este tipo de doenças. Foram medidos os níveis da molécula do recetor do estrogénio, Erβ, e da aromatase, a enzima que converte a testosterona em estradiol. 
 
O estudo apurou que os cérebros dos indivíduos com perturbações do espetro autista apresentavam, comparativamente com os indivíduos controlo, uma quantidade 35% menor de mRNA de Erβ e 38% menor de mRNA da aromatase. O mRNA de cofatores do recetor do estrogénio RC1, CBP e P/CAF encontrava-se também a níveis mais baixos, 34%, 77% e 52%, respetivamente.
 
Os investigadores sugerem que os níveis baixos de aromatase e destes recetores do estrogénio podem limitar a conversão da testosterona em estradiol, que resulta em níveis de testosterona aumentados. 
 
O líder do estudo, Anilkumar Pillai, referiu que este é o primeiro estudo que demonstra que os recetores do estrogénio nos cérebros dos indivíduos com perturbações do espetro autista podem ser diferentes dos indivíduos saudáveis. Apesar de estes resultados poderem justificar a maior incidência deste tipo de doenças nos homens, o investigador refere que ainda é necessário determinar a causa da redução da produção de proteínas associadas ao estrogénio.  
 
“Vale a pena analisar se os fármacos que modelam a receção do estrogénio, mas que não causam feminização, poderão funcionar como tratamentos de longo curso para os indivíduos do sexo masculino com perturbações do espetro autista”, conclui. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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