Hormonas do stress: como ajudam a preservar memórias negativas?

Estudo publicado na revista “Neuroscience”

28 julho 2014
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A diminuição de uma das hormonas associadas ao stress imediatamente após a ocorrência de um evento traumático pode diminuir a preservação das memórias negativas, sugere um estudo publicado na revista “Neuroscience”.
 

Quando as pessoas são expostas a um evento traumático, o organismo liberta duas enzimas associadas ao stress: a norepinefrina e o cortisol. A primeira aumenta o ritmo cardíaco e controla a resposta de luta ou fuga, que surge quando as pessoas se sentem ameaçadas ou submetidas a experiências altamente emotivas. No cérebro, a norepinefrina atua como neurotransmissor sendo capaz de aumentar a memória.
 

Estudos anteriores realizados em ratinhos demonstraram que o cortisol pode também fortalecer as memórias. Contudo, as experiências em humanos não têm sido conclusivas.

Foi neste contexto que os investigadores da Universidade de Califórnia, nos EUA, convidaram 39 mulheres a visualizar um conjunto de imagens capazes de despoletar uma vasta gama de respostas, desde neutras a fortes.
 

Antes de visualização das imagens, os investigadores administraram às participantes um placebo ou uma dose de hidrocortisona (estímulo de stress). As participantes avaliaram os sentimentos no momento da visualização das imagens, tendo também sido recolhidas amostras de saliva antes e após a visualização das imagens. Após uma semana, foi realizado um teste de memória surpresa.
 

O estudo apurou que as experiências negativas eram mais facilmente recordadas se o evento fosse suficientemente traumático para conduzir à libertação de cortisol e apenas se a norepinefrina fosse libertada durante, ou pouco tempo após, o evento traumático.
 

De acordo com uma das autoras do estúdio, Sabrina Segal, estes resultados ajudam a compreender como as memórias traumáticas podem ser fortalecidas nas mulheres. O estudo sugere que se os níveis de norepinefrina forem diminuídos logo após o evento traumático, poderá ser possível impedir a ocorrência do mecanismo de aumento da memória, tendo em conta a quantidade de cortisol libertada.

Os autores do estudo concluem que estes resultados ajudam a compreender melhor os mecanismos neurobiológicos que estão na base das doenças traumáticas, como a o stress pós-traumático. 

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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