Hormona que combate a resistência à insulina

Descoberta uma hormona com grandes potencialidades no tratamento da diabetes e outras condições

30 julho 2001
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Dois grupos de cientistas independentes, um dos EUA e outro do Japão, realizaram testes em que ratos diabéticos atenuaram a sua resistência à insulina por administração de uma hormona denominada adiponectina ou Acrp30. Os resultados foram publicados na revista Nature Medicine.
 

 

O grupo norte-americano descobriu que a proteína reduz a resistência à insulina por várias horas após a administração. A equipa japonesa obteve resultados semelhantes num estudo mais alargado.
 

 

A diabetes ocorre devido a uma redução da sensibilidade à insulina e, portanto, a uma incapacidade do controlo do nível de glucose no sangue, que é controlado por esta hormona.
 

 

A hormona estudada nestes trabalhos é produzida pelas células adiposas – da gordura – e assim, ao contrário do que é normalmente aceite, mostram que estes depósitos de gordura são mais do que um armazém de energia para serem usados mais tarde pelo corpo. O estudo demonstrou que o tecido adiposo também produz substâncias essenciais ao metabolismo de organismo, nomeadamente a adiponectina, que parece influenciar a sensibilidade à insulina noutros tecidos.
 

 

Os cientistas descobriram que ratos com pouca ou nenhuma gordura corporal não produzem adiponectina, e esta é reduzida em ratos obesos, tornando ambos os grupos propensos a se tornarem insensíveis ou resistentes à insulina.
 

 

Com surpresa os investigadores constataram que, quanto maior a quantidade de gordura, menor a quantidade de adiponectina produzida, o que consideraram estranho para uma hormona que é exclusivamente produzida pelo tecido adiposo. No entanto, já há muito tempo que a obesidade está associada ao desenvolvimento da diabetes.
 

 

Apesar de obterem resultados semelhantes, as duas equipas dão explicações diferentes para os mecanismos pelos quais esta hormona reduz o nível de glucose no sangue.
 

 

A equipa norte-americana acredita que a adiponectina actua no fígado, fazendo com que este segrega menos quantidade de açúcar para o sangue. Os cientistas japoneses pensam que o efeito primário da hormona ocorre no músculo esquelético, onde promove a produção de energia a partir da gordura. Esta diminuição dos níveis de gordura provoca uma redução de ácidos gordos no sangue e no fígado o que leva a uma redução dos níveis de glucose sanguíneos.
 

 

Num comentário que acompanha os artigos, um especialista diz que ambas as equipas descobriram uma “nova e entusiasmante propriedade” da adiponectina. Apesar de concordar que ainda é preciso fazer muitos testes, o comentador afirma que “é difícil resistir à especulação de que a adiponectina, ou substâncias sintéticas análogas, possam ser úteis no tratamento da diabetes de tipo 2 ou até outras condições caracterizadas por uma resistência à insulina”. “De qualquer maneira, um agente que queima gordura é uma grande descoberta”, acrescenta.
 

 

Estes resultados são ainda muito preliminares e os investigadores não têm planos para fazer testes em humanos num futuro próximo.
 

 

Fonte: Associated Press

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