Hormona produzida pelo coração envolvida na perda de peso

Estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”

09 fevereiro 2012
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Um novo estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation” dá conta que não é só a prática de exercício físico que reduz o peso corporal através da decomposição das reservas de tecido adiposo que os músculos utilizam para a produção de energia, o coração também desempenha um papel importante neste processo.

 

Os investigadores do Sanford-Burnham Medical Research Institute, nos EUA, descobriram que as hormonas libertadas pelo músculo cardíaco estimulam o metabolismo das células do tecido adiposo. Estas hormonas ativam um mecanismo celular semelhante ao ativado  quando o corpo está exposto ao frio e decompõe a gordura para produzir calor.

 

“A prática de exercício físico conduz a um aumento da pressão arterial, assim existe a possibilidade destas hormonas produzidas pelo coração, chamadas peptídios natriuréticos cardíacos, serem libertadas para contribuir para a decomposição das gorduras”, explicou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Sheila Collins. Acrescentando que” durante um período de tempo, estes peptídios natriuréticos podem conduzir a um aumento do número de células adiposas castanhas, que são muito importantes para a proteção da obesidade induzida pela dieta”.

 

As células adiposas castanhas, ao contrário das células adiposas brancas tipicamente associadas à gordura corporal, não armazenam apenas a gordura como também convertem as calorias em energia, um processo que não funciona corretamente na obesidade.

 

Neste estudo, os investigadores descobriram que os efeitos metabólicos causados pelos peptídios natriuréticos dependem, em grande parte, da relação entre dois tipos de recetores encontrados na superfície das células do tecido adiposo. Um é um recetor de sinalização conhecido por NPRA, que ajuda a ativar as células adiposas castanhas e a decompor as células adiposas brancas. O outro, chamado NPRC  impede que os peptídios natriuréticos ativem o NPRA, resultando numa maior acumulação de células adiposas brancas.

 

Os investigadores verificaram que quando os ratinhos foram expostos ao frio havia uma quantidade elevada de peptídios natriuréticos no seu sistema circulatório e maiores níveis do recetor NPRA, em comparação com os do recetor NPRC, nas células adiposas. Como resultado, os ácidos gordos foram mobilizados e o mecanismo da decomposição das células adiposas castanhas foi ativado.

 

Uma melhor compreensão sobre o que regula os recetores NPRA e NPRC, e portanto como os peptídios natriuréticos controlam as células adiposas brancas, pode conduzir à formulação de novos alvos terapêuticos para o controlo da obesidade e doença metabólica. Adicionalmente, um maior conhecimento sobre o funcionamento deste sistema pode dar alguma esperança para os pacientes que sofrem de caquexia cardíaca, uma doença caraterizada pela perda de gordura e massa muscular que pode ocorrer nos indivíduos com insuficiência cardíaca crónica.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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