Hormona estimula ligação afetiva entre pais

Investigação divulgada na “PLos One”

02 abril 2015
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Um novo estudo revela que a hormona que estimula a produção de leite nas mulheres, a prolactina, poderá estar envolvida na ligação afetiva entre os pais.


A investigação levada a cabo na Universidade de Wisconsin-Madison, EUA, consistiu num estudo não-invasivo aos níveis hormonais de uma colónia de saguis-cabeça-de-algodão mantida em cativeiro nessa instituição de ensino. Este tipo de saguis vive em famílias monogâmicas onde ambos os pais cuidam das suas crias, tal como acontece com os humanos.


Este estudo descobriu uma relação entre os níveis de prolactina, a atividade sexual e as carícias entre os progenitores. Registaram-se níveis de prolactina elevados nos pais que tinham relações sexuais e partilhavam carícias frequentemente, e baixos níveis desta hormona nas mães que tinham relações sexuais com menos frequência e que tinham acabado de dar de mamar às suas crias, mesmo que estas se mantivessem próximas.


Estes resultados engrossam a lista de resultados de outros estudos que estabelecem paralelo entre a ocitocina, a hormona que estimula a contração do útero no parto, e a prolactina.


Se a descoberta, há 25 anos, de que a ocitocina desempenhava um papel importante na ligação afetiva num casal se revelou com uma inovação ao considerar que esta hormona não estava apenas associada à ligação entre mãe e filho(a), “estamos agora a descobrir algo semelhante para a prolactina, que é uma hormona com diferentes efeitos físicos”, refere o primeiro autor do estudo, Charles Snowdown.


Este investigador acredita que a prolactina não orienta os instintos parentais, mas que é o resultado do cuidado parental, ou seja, funciona como uma recompensa desses mesmos cuidados.


A ideia de que tanto a ocitocina como a prolactina poderão atuar como recompensa é reforçada por outro estudo alemão que descobriu uma explosão de ambas as hormonas quando, tanto homens como mulheres, atingem o orgasmo numa relação sexual.


“Isto sugeriu-me que a prolactina poderia, entre outras coisas, funcionar como mecanismo de recompensa do sexo”, explicou Snowdown.


Além disso, há outras evidências de que a prolactina está envolvida no circuito de recompensa, refere Snowdown: “a prolactina inibe químicos que provocam a excitação no nosso sistema nervoso central, reduzindo o desejo”.


Segundo este investigador, tanto a ocitocina como a prolactina desempenham papéis semelhantes na ligação afetiva entre elementos de um par. Como tal, conclui que “é lógico presumir que as mesmas hormonas e áreas cerebrais se encontram envolvidas no controlo de um comportamento que é tão importante para a sobrevivência como a parentalidade e a ligação afetiva num par. Estamos a descobrir que um bom laço afetivo entre um par é percursor de bons cuidados paternos nos humanos tal como nos macacos.”


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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