Hormona do fígado causa resistência à insulina

Estudo publicado na “Cell Metabolism”

09 dezembro 2010
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Investigadores identificaram uma hormona produzida e segregada pelo fígado como causa prévia de resistência à insulina. O estudo foi publicado na revista “Cell Metabolism” e revela um novo alvo terapêutico para a condição.

 

"O actual estudo traz dados sobre uma função anteriormente pouco explorada do fígado: este órgão participa na patogénese da resistência à insulina através da secreção de hormonas", disse, em comunicado enviado à imprensa, Hirofumi Misu, da Universidade de Kanazawa, Japão.

 

Os investigadores já tinham descoberto que os genes que codificam as proteínas são abundantemente expressas em elevados níveis no fígado das pessoas com diabetes tipo 2. Com base nestas constatações, a equipa começou a suspeitar que, semelhante ao papel do tecido adiposo, o fígado pode contribuir para o desenvolvimento da diabetes tipo 2 e da resistência à insulina através de proteínas às quais chamaram de "hepatokines".

 

Agora, os investigadores relataram os resultados de análises de expressão genética global, revelando que o fígado expressa níveis mais elevados do gene que codifica a selenoproteína P (SeP) em pessoas com diabetes tipo 2 que são mais resistentes à insulina. Os níveis de SeP no sangue são também abundantes em pessoas com diabetes, em comparação aos das pessoas saudáveis.

 

Outros estudos realizados com ratinhos suportam a noção de que a ligação entre a SeP e a resistência à insulina é causal. Quando os investigadores deram  SeP aos roedores saudáveis normais, estes tornaram-se resistentes à insulina e os seus níveis de açúcar no sangue aumentaram. Um tratamento que bloqueava a actividade da SeP nos fígados de ratinhos com diabetes e obesidade melhorou a sensibilidade à insulina e diminuiu os níveis de açúcar no sangue.

 

Segundo o líder da investigação, a SeP era conhecida anteriormente como uma proteína produzida principalmente no fígado, envolvida no transporte do selénio do fígado para outras partes do corpo. Mas o significado clínico da proteína e, mais especificamente, o seu papel na homeostase da glicose não eram conhecidos.

 

No desenvolvimento da resistência à insulina, os investigadores verificaram que a SeP não actuava sozinha. Segundo explicaram, em comunicado de imprensa, “sabe-se que o tecido adiposo é um dos principais para o desenvolvimento da resistência à insulina através da produção de hormonas derivadas de gordura, chamadas adipocinas”. Os cientistas dizem ter provas preliminares de uma ligação entre a SeP e a produção de adipocinas, que será objecto de uma investigação mais aprofundada.

 

As novas descobertas sugerem que pode haver outras hormonas derivadas do fígado com papéis importantes e variados no organismo.
"O nosso estudo levanta a possibilidade de que as funções do fígado como órgão endócrino, produzindo uma variedade de ´hepatokines´ e que a desregulação ou deficiência da sua produção pode contribuir para o desenvolvimento de várias doenças."

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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