Hormona da fome aumenta risco de obesidade ao longo da vida

Estudo publicado no “The Journal of Clinical Investigation”

23 janeiro 2015
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Investigadores americanos desvendaram um papel inesperado na hormona grelina no desenvolvimento precoce do cérebro e demonstraram o seu impacto a longo prazo na regulação do apetite, dá conta um estudo publicado no “The Journal of Clinical Investigation”.
 

“Demonstrámos que a grelina neonatal influencia diretamente o desenvolvimento de uma parte do cérebro envolvida no apetite e na regulação do apetite. Este estudo sugere uma associação entre a maturação do eixo intestino-cérebro e a posterior suscetibilidade à obesidade, diabetes e doença cardiovascular”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Sebastien G. Bouret.
 

O peso corporal e o equilíbrio energético são regulados por uma sofisticada rede de circuitos neurais. No seu centro, está um conjunto de neurónios ou células nervosas do hipotálamo denominado núcleo arqueado, que contém neurónios sensíveis a sinais periféricos, tais como hormonas metabólicas. Quando o estômago está vazio, a grelina é secretada, atuando no núcleo arqueado para que a alimentação seja iniciada. No entanto, até à data, pouco se sabia sobre a importância da grelina no desenvolvimento dos mecanismos cerebrais que regulam o peso corporal e o apetite.
 

Através de estudos realizados em ratinhos, os investigadores do Instituto de Investigação Saban do Hospital Pediátrico de Los Angeles, nos EUA, identificaram a importância fisiológica e neurobiológica da grelina no início da vida. Após terem bloqueado a hormona pouco depois do nascimento, os investigadores verificaram que houve um aumento das projeções axonais no núcleo arqueado, conduzindo a alterações metabólicas ao longo da vida, como obesidade e diabetes.
 

O estudo apurou também que o aumento dos níveis de grelina durante este período de desenvolvimento chave afetou o normal crescimento das projeções arqueadas e causou disfunção metabólica.
 

De acordo com Sebastien G. Bouret, estes resultados chamam a atenção para a importância da manutenção de um equilíbrio hormonal saudável (incluindo a grelina) no início da vida, de forma a garantir o desenvolvimento adequado dos centros cérebro-alimentação.
 

Clinicamente, os níveis elevados de grelina são característicos dos pacientes que sofrem da Síndrome de Prader-Willi. Este aumento ocorre antes do desenvolvimento da obesidade nos pacientes, que é causada por uma fome insaciável. Os pacientes com esta síndrome têm também um metabolismo mais lento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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