Homo erectus sobreviveu ao deserto com poucos recursos

História evolutiva tem nova explicação

27 setembro 2001
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Há décadas que cientistas e arqueólogos tentam perceber de que modo foi feita a colonização de seres humanos no mundo. E até aqui, a história evolutiva tem assentado em explicações mais ou menos contraditórias. Agora, aparece mais uma das muitas teorias. A reputada revista «Nature» destacou esta semana a descoberta dos artefactos usados por um grupo de Homo erectus que ocupou a região de Xiaochangliang, no norte da China, há 1,36 milhão de anos.
 

 

Embora os arqueólogos tenham descoberto estes elementos no início da década de 80, só agora os dataram. E as conclusões prometem dar muito que falar no mundo académico.
 

 

Ferramentas feitas com pedra demonstram que estes hominídeos conseguiram fixar-se numa região fria e seca, com poucas árvores e à beira de um deserto, um ambiente bem diverso do habitat nativo: a África equatorial.
 

 

O Homo erectus foi o primeiro humano (pertencente ao género Homo, como nós) a trocar os trópicos pelo exterior do continente africano. «Os mais antigos vestígios da espécie encontrados longe do continente africano estão datados de 1,7 milhão de anos, e foram encontrados na República da Geórgia (a sudoeste da Rússia)», explica o paleoantropólogo Richard Potts, um dos autores do estudo e director do Programa de Origens Humanas do Museu Nacional de Washington (EUA).
 

 

Para os paleontólogos esta nova teoria assenta nas diferenças da situação geográfica que distinguem a Geórgia da China « A diferença é que esses humanos estavam muito próximos de uma área permanentemente desértica, e também «fechados» do lado norte das montanhas Qinling, que praticamente divide a China em duas», explica Potts. Em termos práticos, isso significa os hominídeos tinham apenas duas alternativas: adaptação ou extinção.
 

 

Os artefactos de Xiaochangliang foram encontrados em 1980, mas só agora os cientistas dataram o sítio arqueológico que, deste modo, permitiu a actualização do mapa da expansão dos hominídeos.
 

 

A datação usou um método que identifica a polaridade magnética das camadas em que os artefactos foram descobertos. «Sabemos que a polaridade do campo magnético da Terra muda em intervalos bem conhecidos. Usando esse método, conseguimos resultados convincentes», afirma o físico Kenneth Hoffman.
 

 

Deste estudo ressalta, no entanto, uma explicação nova da história evolutiva: caso o Homo sapiens tenha surgido em África, ele não foi o primeiro a ser altamente adaptável.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Nature
 

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