Homens que querem ser pais têm mais testosterona

Picos hormonais dão-se aos fins-de-semana e no período de ovulação

12 fevereiro 2003
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Os homens que querem ser pais preparam-se inconscientemente para fecundar a parceira. Têm picos maiores de testosterona (hormona masculina implicada na actividade sexual) do que os outros que não pretendem procriar. Estes indivíduos tendem ainda a ajustar-se aos ciclos mensais da ovulação feminina, tornando-se mais «aptos» nos momentos férteis das mulheres. Não se pode dizer que tenham maior desejo sexual, mas respondem fisicamente a uma questão psicológica.
 

 

Resultados empolgantes de uma investigação iniciada na Universidade de Viena, e terminada em Portugal pela investigadora austríaca Katharina Hirschenhauser. A pesquisa, já concluída, teve repercussão mundial depois de a revista da especialidade Hormon and Behavior ter publicado um artigo dos investigadores.
 

 

Que os picos elevados de testosterona estão associados a uma actividade sexual intensa do homem «é já uma velha história», afirma a cientista, que terminou quatro anos de trabalho na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), em Lisboa. Mas foi este conhecimento que permitiu «suspeitar» da existência de outros significados para aquela ligação.
 

 

Os resultados surpreenderam até os próprios cientistas, admite Katharina, doutorada pela Universidade de Viena. Em primeiro lugar, foi possível detectar que as variações de testosterona na actividade sexual acontecem por intervalos regulares. «Descobrimos que 90% da testosterona da actividade sexual ocorre por volta dos fins-de-semana, possivelmente aos sábados». Ou seja, existem ciclos semanais de picos de actividade sexual que são acompanhados por picos de testosterona. Esta conclusão poderá ser a confirmação de que a«febre dos sábados à noite» é uma realidade... «As pessoas estão mais disponíveis para a actividade sexual aos fins-de-semana, é compreensível, mas não quer dizer que seja exactamente aos sábados. O que detectámos foram intervalos semanais.»
 

 

Para que não haja dúvidas, Katharina adverte que este resultado não significa que os homens desta amostra tenham relações sexuais apenas aos fins-de-semana. Significa, isso sim, que, embora tenham ocorrido «muitos acontecimentos sexuais ao longo dos 90 dias, os picos hormonais mais altos, isto é, a maior intensidade, ocorria por ciclos semanais». Um comportamento idêntico em todos os homens da amostra.
 

 

Os resultados mais surpreendentes foram obtidos quando se comparou o factor «vontade de ter filhos» aos níveis de testosterona: os homens que têm uma parceira regular e vontade de procriar com ela tendem a adaptar-se ao seu ciclo mensal. «Encontrámos uma sincronização dos níveis de androgénios do homem com o ciclo de 28 dias das mulheres», sublinha a investigadora. Esta sincronização não ocorre nos homens que não querem ter filhos. Um resultado «espantoso», porque «sugere uma influência psicológica na fisiologia reprodutora masculina».
 

 

Essa maior intensidade da relação sexual estará associada também a um maior desejo sexual? Katharina ri-se. «É o que toda a gente me pergunta. Só posso dizer que é possível, mas não é isso que dizemos no nosso estudo. O desejo sexual é complicado de medir.»
 

 

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