Homens da área rural produzem menos espermatozóides

Poluição por pesticidas pode estar na origem do problema

19 maio 2003
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Factores como poluição e stress têm vido a ser associados à baixa dos níveis de fertilidade. Mas, um estudo recente, feito por investigadores norte-americanos, põe esta teoria em causa. Segundo o resultado de um novo estudo, os homens que vivem no campo têm contagens de espermatozóides mais baixas do que aqueles que moram nas grandes cidades.
 

A descoberta veio trazer a lume a discussão sobre a possibilidade das substâncias químicas, bem como de outros factores ambientais influenciarem o desenvolvimento sexual.
 

 

Embora o estudo teve como alvo homens de áreas rurais do Estado de Missouri, em comparação com outros de áreas urbanas, tais como Nova Iorque, Minneapolis e Los Angeles. Os resultados indicaram que os homens do campo tinham contagens de espermatozóides mais baixas do que aqueles que viviam em cidades.
 

 

A nova investigação soma-se a uma série de outras que apresentaram resultados contraditórios sobre a possibilidade da contagem de espermatozóides ser afectada pelo local onde vive e os tipos de factores a que está exposto.
 

 

«Descobrimos que os homens da Colómbia, no Missouri, que é uma comunidade agrícola, têm densidade e motilidade de espermatozóides significativamente mais baixas em comparação a três centros urbanos analisados», referiu Shanna Swan, líder do estudo.
 

 

Swan, epidemiologista da Universidade de Missouri, em Colómbia, acredita que substâncias químicas usadas na agricultura possam ser as responsáveis por este problema.
 

 

De acordo com o estudo publicado na revista Environmental Health Perspectives, a equipa de Swan analisou 512 casais que estavam a ser acompanhados em consultas pré-natal em hospitais do país. Além das entrevistas, os investigadores recolheram amostras de sangue e sémen.
 

 

A qualidade do sémen foi igualmente alta em Minneapolis e Nova Iorque, e um pouco menor em Los Angeles. Mas, quanto aos homens residentes no Estado de Missouri, as contagem e qualidade de espermatozóides foi significativamente mais baixas do que as dos participantes das três cidades.
 

 

Agora, a equipa procura pistas no sangue dos participantes. Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA estão a avaliar as substâncias químicas no sangue para verificar se existem diferenças entre os homens da cidade e do campo.
 

 

Os cientistas também vão examinar os níveis hormonais. Além das substâncias químicas, o stresse é outro factor que também poderá afectar os espermatozóides.
 

 

Outra hipótese, adiantou Swan à Reuters é um possível aumento populacional afecte a qualidade do sémen. «Há algumas indicações de que, em algumas espécies animais muito populosas, os machos dominantes ficam mais férteis.»
 

 

Mas, a teoria mais convincente para Swan são os dados que mostram que certas substâncias químicas podem alterar a forma como as hormonas actuam no corpo. Entre elas estão pesticidas como DDT e substâncias industriais como os PCBs.
 

 

Esses compostos são considerados responsáveis por anomalias genitais em animais como sapos e crocodilos.
 

E os efeitos podem ser semelhantes em seres humanos. Em 1992, uma equipa da Universidade de Copenhaga, Suécia, liderada pelo cientista Niels Skakkebaek, afirmou que as contagens de espermatozóides estavam a cair em todo o mundo.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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