Homem em estado vegetativo há 15 anos recuperou consciência

Estudo publicado na revista “Current Biology”

29 setembro 2017
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Um homem de 35 anos que tinha vivido num estado vegetativo durante 15 anos, na sequência de um acidente de viação, demonstrou sinais de consciência após receber estimulação do nervo vago no peito.
 
A estimulação do nervo vago é um tratamento já usado para tratar a depressão e epilepsia. O nervo vago liga o cérebro a muitas outras partes do corpo, como órgãos do sistema digestivo. Este nervo é importante para acordar, estado de alerta e outras funções essenciais.
 
Uma equipa de médicos e investigadores liderados por Angela Sirigu e Jacques Luauté, do Institudo de Ciências Cognitivas Marc Jeannerod, Lyon, França, decidiram testar a capacidade de estimulação do nervo vago sobre a recuperação da consciência. 
 
Selecionaram então um caso difícil de forma a assegurarem que quaisquer melhorias não poderiam ser devidas a um evento fortuito. O paciente que escolheram encontrava-se em estado vegetativo há mais de 10 anos, sem sinais de melhorias.
 
Após um mês de estimulação do nervo vago foi observada uma melhoria significativa na atenção, movimentos e atividade cerebral do paciente. O homem começou a responder a ordens simples, como seguir um objeto com os olhos e virar a cabeça quando solicitado.
 
Na sequência da estimulação, os investigadores observaram também reação, pelo paciente, a situações de ameaça que antes não existiam, como, por exemplo, reagir com surpresa, abrindo muito os olhos, quando alguém aproximava a cabeça repentinamente da cara do homem.
 
Após muitos anos em estado vegetativo, o homem conseguiu chegar a um estado de consciência mínima. Segundo os investigadores, este resultado vem por em causa a noção geral que os problemas ligados com o estado de consciência que persistem para além de um ano tornam-se irreversíveis.
 
Os exames efetuados à atividade cerebral demonstraram alterações substanciais, nomeadamente nas áreas do cérebro envolvidas no movimento, sensação e consciência. A ligação funcional do cérebro do homem também aumento, assim como a atividade metabólica nas regiões cortical e subcortical do cérebro.
 
“A plasticidade e reparação do cérebro continuam a ser possíveis mesmo quando a esperança parece ter desaparecido”, comentou Angela Sirigu.
 
Os investigadores planeiam agora conduzir um estudo colaborativo de grande escala para confirmar e alargar o potencial da estimulação do nervo vago a pacientes em estado vegetativo ou minimamente consciente. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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