Homem de Neandertal tinha mãos funcionais como as que conhecemos

Cientistas desenvolvem modelo em computador

27 março 2003
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As mãos do homem de Neandertal, hominídeo que desapareceu há cerca de 45 mil anos anos, permitiam pelo menos tanta destreza como as do homem moderno, sugere um modelo elaborado em computador a partir de restos fossilizados.
 

 

O modelo sugere que o desaparecimento dos Neandertais não pode ser atribuído unicamente a uma incapacidade física para construir ferramentas tão precisas como os antecessores directos do homem moderno, afirmam os investigadores.
 

 

Em vez disso, a razão para a morte do homem de Neandertal parece ser mais complexa, segundo Wesley Niewoehner, antropólogo da Universidade californiana de San Bernadino que desenvolveu o modelo computacional.
 

 

Os Neandertais tiveram de competir por comida e território com os humanos modernos, que se acredita terem tido maior aptidão para procurar recursos e cooperar de forma estratégica. Outros factores como as alterações climáticas verificadas nesse período da história poderão ter contribuído significativamente para o seu desaparecimento.
 

 

Além do mais, tem sido frequentemente questionada sua capacidade para fabricar ferramentas. «Se se pudesse qualificar os Neandertais como inferiores, incapazes de fazer gestos precisos e, por isso, incapazes de fazer ferramentas de precisão, então seria mais fácil explicar o que aconteceu com eles», comentou Niewoehner.
 

 

O homem de Neandertal, um dos vários tipos de hominídeos que antecederam o homem moderno, surgiu na Europa, tendo depois ocupado uma área que possivelmente se estendia de Espanha até à Rússia austral e Ásia ocidental. Os mais antigos fósseis atribuídos aos Neandertais têm mais de 350 mil anos.
 

 

Os especialistas acreditam que o seu desaparecimento deverá ter acontecido há entre 10 e 15 mil anos, depois do homem moderno ter aparecido em África e depois no Extremo Oriente há 45 mil anos.
 

 

O modelo computacional da mão do homem de Neandertal foi desenvolvido a partir de restos fossilizados descobertos em 1909 em La Ferrassie, França.
 

 

Os moldes do polegar e os ossos dos dedos foram informatizados, produzindo modelos tridimensionais que serviram para determinar a amplitude de movimentos possível com tal estrutura óssea.
 

 

Os cientistas já sabiam que os neandertais eram capazes de fazer ferramentas. O modelo computacional confirma que «a mão do neandertal talvez tenha tido um aspecto ligeiramente diferente da do homem moderno, mas não era funcionalmente inferior», disse Ian Tattersall, da Divisão de Antropologia do Museu de História Natural de Nova Iorque, EUA.
 

 

As mãos do homem de Neandertal terão sido mais musculadas, com dedos de extremidades largas. A ideia de que os neandertais eram homens das cavernas está errada, concluiu, por outro lado, Jeffrey Schwartz, antropólogo da Universidade de Pittsburgh, acrescentando que o cérebro deste hominídeo era também tão grande, senão maior, do que o do homem moderno.
 

Os resultados do trabalho vão ser publicados na edição desta semana da revista Nature.
 

 

Fonte: Lusa
 

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