HIV está cada vez mais resistente

Investigadores alertam para cenário pessimista

20 dezembro 2001
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O HIV, o vírus causador da Sida, está cada vez mais resistente às drogas usadas no tratamento da doença, segundo revelaram os vários investigadores durante um congresso mundial realizado esta semana em Chicago.
 

 

 

Segundo os especialistas, mais de três quartos dos portadores de HIV do país têm versões do vírus resistentes aos fármacos mais usados no tratamento de seropositivos.
 

Nos Estados Unidos existem cerca de 210.000 seropositivos, dos quais 130.000 apresentam uma carga viral detectável, segundo disse Douglas Richman, autor de um dos estudos apresentado no maior congresso mundial da especialidade.
 

 

Destes últimos, 78 por cento terão desenvolvido defesas contra um só medicamento, enquanto que 51 por cento apresentam imunidade a um conjunto de drogas, conforme o comprovam os estudos efectuados num departamento clínico de San Diego, na Califórnia.
 

 

Cerca de 20 por cento das pessoas recentemente contaminadas são portadoras de um vírus de imunodeficiência humana que já é resistente a um medicamento. Para o especialista, esta evidência «só prova que temos feito um trabalho deficiente em termos de prevenção e aconselhamento"
 

 

Estas conclusões foram obtidas, em 1999, após testes efectuados a partir da recolha de sangue de 1.647 seropositivos residentes em dez cidades americanas e canadianas.
 

 

Quando o vírus desenvolve resistência às três drogas, o sistema imunológico do indivíduo entra em colapso, na chamada Síndroma da Imunodeficiência Adquirida (Sida).
 

 

Há já algum tempo que investigadores de vários países apontam a crescente resistência do vírus aos medicamentos, mas essa é a primeira vez que a conclusão é baseada num estudo de grande escala.
 

 

Segundo os especialistas, a descoberta tem pelo menos duas grandes implicações na investigação e tratamento da doença. Em primeiro lugar, fica comprovada a necessidade de desenvolver novos tipos de drogas, que ataquem o HIV de outras formas.
 

 

Na mesma conferência em que foi divulgado o estudo sobre a resistência dos vírus, outro grupo de cientistas apresentou as conclusões de estudos sobre uma possível alternativa no combate à Sida que passa pelo lançamento no mercado de novas drogas já no próximo ano.
 

 

Em segundo lugar, o estudo reforça a importância dos cuidados preventivos como relações sexuais protegidas – o uso do preservativo - e a utilização de agulhas descartáveis tanto em casos de transfusão sanguínea quanto no uso intravenoso de drogas.
 

 

Quanto mais pessoas contraírem versões do HIV resistentes às drogas terapêuticas, maior será a possibilidade de outras pessoas adquirirem vírus desse tipo, o que diminui as probabilidades de um tratamento bem-sucedido.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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