Hipotermia combate danos cerebrais resultantes da privação de oxigénio

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

14 julho 2014
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O arrefecimento dos recém-nascidos que são expostos a condições de hipoxia (falta de oxigénio) pode aumentar significativamente a possibilidade de os bebés sobreviverem sem danos cerebrais até aos seis ou sete anos, dá conta um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.
 

Neste estudo, os investigadores de várias Universidades do Reino Unido, entre as quais Bristol, Oxford e Leeds avaliaram recém-nascidos com pelo menos 36 semanas de gestação que tinham estado privados de oxigénio à nascença. Seis horas após o nascimento, as crianças foram aleatoriamente incluídas num de dois grupos de tratamento. Num dos grupos, os recém-nascidos foram submetidos ao tratamento habitual, enquanto no segundo grupo, foram submetidas ao tratamento habitual conjuntamente com hipotermia, tendo a temperatura corporal chegado aos 33,5ºC durante 72 horas. Após este tempo, a temperatura corporal foi gradualmente reposta à temperatura normal (37ºC).
 

As capacidades mentais das crianças e o seu desempenho escolar foram testadas, tendo os investigadores analisado os relatórios dos pais e professores. Foi também investigada a presença e severidade de quaisquer danos resultantes da privação de oxigénio.
 

Após a privação de oxigénio, existem vários processos que são desligados no cérebro, que conduzem à morte celular cerebral e danos neurológicos permanentes. No entanto, a hipotermia interrompe estes processos, tendo sido previamente demonstrado que reduz os danos cerebrais em 18 meses.
 

Neste estudo, liderado por Denis Azzopardi, do King’s College London, confirmou-se agora que a hipotermia é um tratamento seguro e eficaz e que os benefícios decorrentes deste tratamento persistem ao longo do tempo. Foi especificamente observado que 51,7% dos bebés tratados com hipotermia sobreviveram com um QI de 85 ou mais, o qual está dentro da gama normal, comparativamente com os 39,4% daqueles tratados com o tratamento habitual. A hipotermia reduziu significativamente o risco de as crianças privadas de oxigénio sofrerem de paralisia cerebral e de outras deficiências moderadas a severas. As crianças apresentaram também melhorias na função motora. Contudo, não foi observada qualquer diferença na taxa de mortalidade nos dois grupos de crianças, a qual rondou os 30% das crianças incluídas no estudo.
 

“Este estudo é importante na medida em que confirma que a hipotermia conduz a uma melhoria persistente da função cerebral até metade da infância e é uma prova de que o tratamento após a privação de oxigénio ao nascimento é eficaz”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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