Hipertensão poderá causar danos cerebrais e acelerar envelhecimento

Estudo publicado no “The Lancet Neurology”

06 novembro 2012
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A hipertensão arterial pode causar danos na estrutura e função cerebral em indivíduos de meia-idade. O estudo publicado no “The Lancet Neurology” refere ainda que os indivíduos hipertensos e pré-hipertensos, com cerca de 40 anos de idade, apresentam um envelhecimento cerebral acelerado.
 

Estudos anteriores já tinham constatado que havia uma associação entre a pressão arterial elevada e um maior risco de lesão e atrofia cerebral, o que conduz a um menor desempenho cognitivo e maior risco de desenvolvimento de demência. Assim, a hipertensão é um importante fator de risco modificável para o declínio cognitivo na velhice.
 

Neste estudo os investigadores da University of California, nos EUA, decidiram averiguar a extensão e a natureza dos efeitos que a hipertensão tinha no declínio cognitivo, bem como a idade em que estes começam a surtir efeito. Os investigadores, liderados por Charles DeCarli, contaram com a participação de 576 indivíduos que tinham, em média, 39 anos. Após avaliação da pressão arterial, os participantes foram divididos em três grupos distintos: pressão arterial normal (menos de 120/80 mmHg), pré-hipertensão (entre 120/80 mmHg e 139/89 mmHg) e hipertensão (acima de 140/90 mmHg) . Foram também recolhidas informações quanto à utilização de fármacos anti hipertensores e hábitos tabágicos. Os participantes foram submetidos a ressonâncias magnéticas para determinação do seu estado de saúde cerebral.
 

O estudo apurou que os indivíduos hipertensos  apresentavam, em média, menos 9% de substância cinzenta no lóbulo frontal e temporal. De acordo com os autores do estudo, o cérebro dos indivíduos com elevada pressão arterial era significativamente menos saudável do que o cérebro dos indivíduos com uma pressão arterial normal. Na verdade foi constatado que os indivíduos com 33 anos e hipertensos apresentam uma saúde cerebral similar aos que tinham 40 anos e pressão arterial normal. No fundo estes dados significam que a pressão arterial elevada conduziu a um envelhecimento prematuro do cérebro em cerca de sete anos.
 

Apesar de os autores do estudo não terem averiguado qual o mecanismo responsável por estes danos, constataram que a pressão arterial causa a rigidez das artérias, o que torna o fluxo sanguíneo para o cérebro mais forte. Como resultado, os vasos sanguíneos do cérebro ficam sob stress, o que por sua vez dificulta a alimentação do tecido cerebral.
 

A mensagem aqui é clara: As pessoas podem influenciar a saúde do cérebro na idade avançada, conhecendo e tratando a pressão arterial enquanto jovens”, revelou, em comunicado de imprensa, Charles DeCarli.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.  
 

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