Hipertensão afeta mais de 42% dos adultos portugueses

Resultados do estudo PHYSA

12 junho 2014
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Quase metade dos adultos portugueses (42,2%) sofre de hipertensão, são as conclusões do estudo PHYSA (Portuguese Hypertension and Salt Study).

 

O estudo, que foi apresentado no Porto, refere-se aos níveis de 2012 e demonstra uma melhoria comparativamente a 2003, no domínio do tratamento e controlo da doença. Apesar do índice de hipertensos se manter quase idêntico ao de 2003, a mortalidade por AVC baixou 46% na última década, revelou a agência Lusa.

 

O PHYSA é considerado o “maior e mais completo” trabalho alguma vez realizado em Portugal sobre a prevalência e controlo de hipertensão, o consumo de sal e padrões genéticos relacionados com a hipertensão, por registos efetuados em dois momentos diferentes, com dez anos de distância.

 

Este trabalho é coordenado por Jorge Polónia, docente e investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Para o PHYSA, foi avaliada uma amostra representativa da população portuguesa constituída por 3.720 pessoas, com idades entre os 18 e os 90 anos, recrutadas nos centros de saúde.

 

Os dados recolhidos revelam que a prevalência da hipertensão arterial (HTA) em Portugal é de 42%, sendo ligeira mas significativamente mais elevada nos homens (44,4%) por comparação às mulheres (40,2%) e nos mais velhos por comparação aos mais novos.

 

O estudo demonstrou, ainda, que a taxa de obesidade na população portuguesa é de 20,4%, tendo aumentado cerca de 8% nos últimos dez anos, sobretudo nas mulheres. Neste estudo, foi observado que a obesidade está associada ao aumento da prevalência de hipertensão, consumo de sal, doenças cardiovasculares e escolaridade mais baixa.

 

Relativamente à ingestão média diária de sal, na população portuguesa, esta é de 10,7 gramas. As recomendações internacionais estabelecem um limite máximo de 5,8 gramas de sal por dia.

 

Comparativamente aos resultados obtidos em 2003, a taxa de conhecimento e tratamento da hipertensão arterial quase duplicou em 2012. Apesar da prevalência da hipertensão continuar elevada, a taxa de controlo aumentou 3,8 vezes durante este período. No entanto apenas 42,6% dos doentes hipertensos se encontram devidamente controlados.

 

Na apresentação das conclusões do estudo, o investigador manifestou alguns receios de que a crise possa inverter alguns dos bons resultados obtidos nos últimos dez anos. Jorge Polónia apelou, assim, ao Ministério da Saúde para que continue a investir no controlo desta doença.

 

Portugal continua no topo da tabela dos países europeus em que a mortalidade por AVC é maior do que a por enfarte do miocárdio. Sendo assim, o especialista defendeu “uma maior ou total comparticipação dos medicamentos” anti hipertensores à semelhança do que acontece com a diabetes e a sida.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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