Hidrocefalia: nova causa foi descoberta

Estudo publicado na “Nature Medicine”

27 novembro 2012
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Investigadores americanos descobriram uma nova causa para a hidrocefalia, refere um estudo publicado na “Nature Medicine”.
 

Esta doença, que afeta entre um a três bebés por cada 1.000 nascimentos, envolve a acumulação de fluido nas cavidades do cérebro conhecidas como ventrículos. Caso o excesso de fluido não seja removido, os ventrículos expandem-se podendo causar danos cerebrais graves e morte. Apesar de a hidrocefalia ser um dos tipos mais comuns de problemas cerebrais dos recém-nascidos, os tratamentos não sofreram muitas alterações ao longo do último meio século. Este envolve a cirurgia cerebral invasiva para drenar o fluido, a qual apresenta muitas vezes complicações e apresenta falhas, o que significa que as crianças por vezes necessitam de ser submetidas a cirurgias repetidas.
 

Dado as extremas limitações de tratamento, o desenvolvimento de terapias não invasivas poderiam revolucionar o tratamento desta doença, referiu, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Calvin Carter.
 

Assim, neste estudo os investigadores da University of Iowa, nos EUA, utilizaram um modelo de ratinho com hidrocefalia, para estudar um tipo específico de células imaturas conhecidas por células precursoras neuronais, que se diferenciam na maioria das células cerebrais, incluindo os neurónios e as células gliais. Os investigadores focaram-se num subgrupo específico de células precursoras neuronais que foram recentemente identificadas e que estão envolvidas no normal desenvolvimento dos ventrículos.
 

O estudo refere que durante o desenvolvimento cerebral, esta população de células imaturas prolifera e morre de acordo com um processo preciso e coordenado de forma produzir ventrículos normais. Os investigadores verificaram que há um desequilíbrio na proliferação e sobrevivência destas células que conduz à hidrocefalia nos ratinhos
 

O desequilíbrio é causado por problemas nas vias de sinalização envolvidas na morte ou proliferação desse tipo de células precursoras neuronais. Foi verificado que, no modelo animal, estes dois processos estão alterados, as células morrem a uma taxa duas vezes maior do que o habitual e proliferam a metade da taxa.
 

Após terem identificado o problema, os investigadores demonstraram que o tratamento com lítio restaurava a proliferação normal das células precursoras e reduzia a hidrocefalia nos ratinhos.
 

"Os nossos resultados demonstraram, pela primeira vez, que as células neuronais progenitoras estão envolvidas no desenvolvimento de hidrocefalia neonatal. Fomos também os primeiros a manipular o desenvolvimento destas células e a tratar com sucesso a hidrocefalia neonatal, algo que abre portas para o desenvolvimento de novas estratégias e para o tratamento desta e de outras doenças neurológicas”, conclui Calvin Carter.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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