Herpes: uma nova abordagem de tratamento

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

09 dezembro 2014
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Investigadores americanos descobriram uma abordagem de tratamento eficaz contra o vírus do herpes que o inibe e deixa latente, impedindo assim a sua reativação e doença, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 

Uma grande percentagem da população está infetada com o vírus herpes simplex. Após a infeção inicial, o vírus entra e permanece num estado latente, sendo depois periodicamente reativado e provocando consequentemente doença. Este vírus provoca lesões orais ou genitais recorrentes e pode contribuir para o desenvolvimento da ceratite herpética, uma das principais causas de cegueira. Conjuntamente com os outros vírus herpes, o vírus herpes simplex é também um fator de complicação para os indivíduos imunossuprimidos e um cofator na transmissão do VIH.
 

Mesmo sem sintomas, os indivíduos infetados pelo vírus herpes simplex podem continuar a transmitir a infeção. Os tratamentos atuais para este tipo de infeção, que têm como alvo as proteínas virais, não conseguem controlar a reativação do vírus latente.
 

Foi neste contexto que os investigadores do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infeciosas, nos EUA, resolveram estudar o vírus herpes simplex em vários modelos animais com o intuito de encontrar tratamentos mais eficazes.
 

O estudo apurou que um fármaco já existente, o tranilcipromina, bloqueia uma proteína conhecida como LSD1, a qual tem um papel importante na iniciação da infeção pelo vírus herpes simplex. Os atuais tratamentos requerem a replicação viral ativa e têm por alvo os estádios tardios da infeção, o que conduz ao desenvolvimento da resistência aos fármacos. Neste estudo, os investigadores adotaram uma abordagem diferente pois escolheram como alvo uma proteína que controla a ativação e desativação dos genes, no início do processo da replicação viral.
 

Esta abordagem epigenética não só reduziu os sintomas, como contrariamente aos tratamentos existentes, reduziu a libertação de partículas virais que são capazes de transmitir o vírus mesmo na ausência de sintomas. Este tratamento forçou o vírus a permanecer num estado latente impedindo a sua reativação.
 

Estes resultados indicam que mesmo quando o vírus não está ativo, os fármacos que modelam as alterações epigenéticas podem tratar a infeção na mesma. A comunidade científica tem vindo a desenvolver terapias baseadas na epigenética para o cancro e, agora, este estudo demonstrou o seu potencial como terapia antiviral eficaz.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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