Hepatites: Ex-combatentes são grupo de risco, 50 anos depois da Guerra Colonial

Associação SOS Hepatites

26 julho 2011
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Muitos ex-combatentes da Guerra Colonial começam agora a descobrir, quase 50 anos depois, que contraíram hepatite B ou C, doença que pode ser fatal, alerta a associação portuguesa que dá apoio aos doentes hepáticos.

 

“Temos hoje imensas pessoas que descobrem que estão infectadas, mas já o estão há mais de 40 anos, como o caso dos ex-combatentes”, afirma a presidente da Associação SOS Hepatites, nas vésperas do Dia Mundial da doença, que se assinala na quinta-feira.

 

Esta organização suspeita que os ex-combatentes foram expostos ao vírus em território português, porque antes de embarcarem para África levavam, em grupo, uma vacina, que era administrada sem os cuidados necessários.

 

“Eram colocados em fila e a agulha era reutilizada muitas vezes. Isso deu origem a muitas infecções. Tenho casos de homens com 66/67 anos que descobriram por mero acaso. Andavam cansados, foram ao médico e descobrem que têm uma hepatite desde o tempo da Guerra”, conta Emília Rodrigues.

 

Quando a doença é detectada tarde, as consequências são as piores: cancro e cirroses, que aumentam as probabilidades de um desfecho fatal.

 

Em Portugal não há dados de prevalência das hepatites, mas com base em projecções da Organização Mundial de Saúde estimam-se 120 mil portadores de hepatite B e 170 mil de hepatite C.

 

O vírus da hepatite B transmite-se através do contacto com o sangue e relações sexuais desprotegidas, tal como o vírus da sida, mas o da hepatite é 50 a 100 vezes mais infeccioso.

 

Já a hepatite C, transmitida por via sanguínea, pode tornar-se crónica em 80% dos casos, podendo evoluir para a cirrose ou cancro do fígado.

 

Segundo o site da Associação SOS Hepatites, a hepatite é uma infecção no fígado que pode ser provocada por bactérias, por um dos sete tipos de vírus (A, B, C, D, E e G ) ou pelo consumo de produtos tóxicos como o álcool, medicamentos e algumas plantas.

 

A gravidade da doença é variável em função do tipo da doença e dos danos já causados ao fígado e o tratamento pode passar por mero repouso ou pode exigir uma terapia mais prolongada e complexa, que nem sempre leva à cura completa.
 

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