Hepatite C pode estar erradicada dentro de alguns anos

Declarações da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia

30 julho 2015
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A hepatite C é uma doença que pode estar erradicada dentro de alguns anos, defende a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia.
 

O presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), José Cotter, referiu que os pacientes dispõem de tratamentos "com elevadíssima taxa de eficácia, muito próxima dos 95%", mas revelou preocupação face a "uma pequena franja de doentes que não responde a estes tratamentos".
 

"Esses pacientes necessitarão de medicamentos alternativos que neste momento ainda não estão aprovados do ponto de vista negocial pela tutela", disse à agência Lusa o também diretor do serviço de Gastrenterologia do Centro Hospitalar do Alto Ave, afirmando que, no entanto, esta é "uma doença que pode estar erradicada dentro de alguns anos" face ao avanço da investigação médica nesta área.
 

José Cotter alertou, ainda, para o carácter "silencioso" desta doença, que deve ser combatido através de "uma simples análise sanguínea", "pelo menos uma vez, na idade adulta".
 

"Se a infeção evoluir de modo silencioso, o que vai acontecer é que, quando houver sinais, já vai estar numa fase muito avançada" e trazer complicações como a cirrose ou o cancro do fígado, que pressupõem "tratamentos muito complicados", nos quais, na maioria dos casos, o transplante é "o único recurso".
 

A hepatite C está associada a 25 a 30% dos casos de cancro do fígado a nível mundial e é atualmente a principal indicação para transplante do fígado nos Estados Unidos da América e na Europa.
 

Relativamente aos casos de hepatite B, o presidente da SPG afirmou que se verificou um decréscimo a partir do momento em que a vacina entrou no Programa Nacional de Vacinação, não descurando a realidade de que "ainda existe uma parte substancial de cidadãos infetados".
 

"Dispomos de tratamentos eficazes, no sentido de não deixar avançar a infeção, nem deteriorar o fígado", referiu o especialista, admitindo que, "numa elevada percentagem de casos", não são a cura, mas sim um modo de controlar a doença e impedir que esta avance.
 

De acordo com a SPG, em Portugal, a infeção pelo vírus da hepatite B pode atingir entre 40 mil a 100 mil cidadãos, e estar presente em 15 a 20% dos doentes com cirrose hepática, "estádio final das doenças do fígado cujo único tratamento curativo será o transplante".
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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