Hepatite C: nova terapia curou mais de dois mil doentes

Declarações da presidente da Associação SOS Hepatites

29 abril 2016
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No espaço de um ano foram evitadas “cerca de 2.050 mortes” prematuras de doentes com hepatite C, graças às novas terapêuticas disponibilizadas em Portugal, segundo a presidente da Associação SOS Hepatites.
 

“Até este mês de abril, temos cerca de 9.100 doentes em tratamento e temos cerca de 2.050 curados”, referiu Emília Rodrigues à agência Lusa. Há doentes que estão a iniciar o tratamento e outros que eventualmente estão curados, mas “só seis meses após a conclusão do tratamento é que se pode ter essa certeza”, acrescentou. Relativamente aos 2.050, já passaram os seis meses, pelo que se consideram curados.
 

O acordo entre o Estado e o laboratório que fornece os medicamentos inovadores para a hepatite C foi formalizado há um ano. Este acordo foi alcançado depois de meses de luta dos doentes para conseguirem obter o tratamento.
 

“Termos estes doentes em tratamento e estes doentes curados para nós é uma vitória porque são pessoas que não vão morrer precocemente, é também uma vitória porque deixou de ser a ‘doença dos divórcios’ para passar a ser a doença da alegria. Com 97% de cura é uma alegria”, disse.
 

De acordo com a responsável, há um ano existiam 13 mil doentes com hepatite C nas consultas do Serviço Nacional de Saúde, mas “o número de infetados não diagnosticados deverá ser muito superior”.
 

A presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado, Isabel Pedroto, referiu à agência Lusa que “a terapêutica na hepatite C tem evoluído muito, têm sido tratados milhares de pessoas, mas há um grupo de doentes para os quais urgem novas terapêuticas e com melhor resposta, nomeadamente os doentes com doença muito avançada do fígado e os doentes com um subtipo muito específico, que é o tipo 3 do vírus da hepatite C”.
 

“Estes doentes ainda estão sem uma terapêutica tão eficaz quanto os restantes, mas tem havido um grande avanço nesta área. Algumas terapêuticas estão em fase de desenvolvimento, ainda não estão aprovadas, mas vêm de facto preencher essa lacuna”, sublinhou.
 

“A situação de Portugal é excelente, tratamos milhares de doentes, mas também temos a consciência de que só conseguimos reduzir a transmissão da doença, se formos procurar aqueles que estão numa fase inicial”, disse.
 

Segundo dados da associação, em Portugal apenas 30% dos indivíduos infetados pelo vírus da hepatite C estão identificados.

 

“Em termos de saúde pública, a terapêutica para a hepatite C só pode ser considerada um bom investimento se se fomentar o diagnóstico, a prevenção, a vigilância dos grupos de risco e uma maior acessibilidade ao tratamento”, concluiu Isabel Pedroto.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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