Hepatite C: combinação de fármacos trata mesmo casos mais difíceis

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

20 janeiro 2014
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Investigadores americanos descobriram uma combinação de fármacos antivirais experimentais que são seguros e que tratam eficazmente a hepatite C. Esta combinação terapêutica funciona mesmo para aqueles pacientes que são de difícil tratamento, em que a terapia tripla convencional não é capaz de curar a infeção, dá conta um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, contaram com a participação de 211 pacientes que estavam infetados com um dos três genótipos do vírus da hepatite C. Os participantes foram submetidos a um tratamento diário de 600mg de daclatasvir, 400 miligramas de sofosbuvir, com ou sem ribavirina.
 

No caso dos pacientes infetados com o genótipo 1 do vírus, foi verificado que três meses após o tratamento ter terminado não era possível detetar o vírus na corrente sanguínea de 98% dos 126 pacientes que não tinham sido submetidos a qualquer tratamento. O mesmo se verificou para 98% dos 41 pacientes em que a toma da terapia tripla não tinha funcionado. Resultados semelhantes foram obtidos nos pacientes infetados com o genótipo 2 e 3 do vírus em causa.
 

Em dezembro, a agência norte-americana do medicamento (FDA) já tinha aprovado a utilização do sofosbuvir em combinação com dois dos três fármacos utilizados na terapia tripla, a ribavirina e o peginterferão para o tratamento da infeção com o genótipo 1 do vírus; e a combinação com a ribavirina para os genótipos 2 e 3. O daclatasvir é o único é que ainda não foi aprovado pela FDA.
 

De acordo com o líder do estudo, Marcos Sulkowski, caso este fármaco venha a ser aprovado, as temidas injeções semanais com peginterferão poderão ser algo do passado.
 

O estudo apurou que os efeitos secundários da nova combinação farmacológica foram leves, tendo incluído fadiga, dores de cabeça e náusea. Para o investigador estes são preferíveis aos efeitos severos associados à toma de peginterferão. Este é também o primeiro estudo a mostrar que a hepatite C pode ser tratada sem ribavirina, um fármaco que é conhecido por causar anemia.
 

“Estes resultados abrem caminho para uma opção de tratamento seguro, eficaz e tolerável da hepatite C, para a maioria dos pacientes”, revelou, em comunicado de imprensa, o Marcos Sulkowski. O investigador acredita que dentro de um ano o tratamento desta doença vai sofrer avanços sem precedentes.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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