Hepatite B crónica: poderá ser eliminada no futuro?

Estudo publicado na revista “Immunity”

06 maio 2016
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A hepatite B crónica, uma doença que não tem atualmente cura, pode no futuro ser eliminada do sistema imunológico dos indivíduos afetados, sugere um estudo publicado na revista “Immunity”.
 
A maioria dos adultos saudáveis infetados com o vírus da hepatite B desenvolvem imunidade protetora, sendo a infeção eliminada em poucos meses. Contudo, as crianças que adquirem o vírus das mães não são capazes de eliminar o vírus da hepatite B. Estas crianças estão destinadas a viver com o vírus para o resto das suas vidas. 
 
Na opinião de um dos autores do estudo, Jing-hsiung James Ou, os macrófagos hepáticos, um tipo de células imunes do fígado que eliminam substâncias estranhas e toxinas, podem ser alvo de um tratamento futuro.
 
Os antigénios maternos virais ensinam os macrófagos hepáticos dos filhos a suprimir um tipo de glóbulos brancos ou leucócitos denominados linfócitos T citotóxicos (CTL, sigla em inglês). Desta forma, quando os bebés são expostos ao vírus, os macrófagos hepáticos irão suprimir o seu próprio sistema imunológico para a combater a infeção. 
 
Contudo, neste estudo os investigadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, foram capazes de suprimir os macrófagos num modelo de ratinhos, ativar os CTL e eliminar a infeção.
 
Para o estudo os investigadores utilizaram ratinhos cujas mães tinham o vírus da hepatite B (grupo experimental) e ratinhos em que as mães não estavam infetados com este vírus (grupo controlo). Foi introduzido ADN indutor do vírus da hepatite B no fígado da descendência.
 
Através das medições realizadas ao longo das 28 semanas de experiência, os investigadores constataram que os macrófagos hepáticos do grupo experimental viraram-se contra os CTL, o que enfraqueceu este tipo de células.
 
Com o intuito de remover os macrófagos que impediam o sistema imunitário de eliminar a infeção pelo vírus da hepatite B, foi injetado no grupo experimental um fármaco que eliminava estas células. Este procedimento foi realizado dois dias antes e uma vez a cada cinco dias após o ADN do vírus da hepatite B ter sido introduzido. No total, o fármaco foi administrado quatro vezes.
 
O estudo apurou que o fármaco removeu os macrófagos e restaurou a atividade normal dos CTL, conduzindo à eliminação do vírus em cerca de quatro semanas.
 
Com base nestes resultados Jing-hsiung James Ou concluiu que, no futuro, o tratamento da hepatite B crónica pode durar apenas um mês em vez de toda a vida.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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