Hemocromatose: investigador português desenvolve medicamento

Estudo publicado na revista “Cell Host & Microbe”

16 janeiro 2015
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A descoberta, por um investigador da Universidade do Porto, de uma proteína responsável pela regulação de ferro no organismo e também pela proteção contra infeções graves conduziu ao desenvolvimento de um medicamento para os pacientes com excesso de ferro, hemocromatose.
 

"Basicamente descobri o motivo pelo qual pessoas com hemocromatose morrem tão rápido, devido a infeções graves, e são tão suscetíveis, descobri que isto acontece porque estes pacientes têm deficiência de uma proteína que regula o ferro, que se chama hepcidina, e que é necessária para as pessoas saudáveis conseguirem combater a infeção", explicou à agência Lusa, o autor do estudo, João Arezes.
 

O investigador considerou "interessante" o facto de ter descoberto que "uma proteína que regula o metabolismo do ferro é tão importante no contexto de uma infeção".
 

Com base nos resultados do estudo, publicado na revista “Cell Host & Microbe”, os investigadores desenvolveram "um medicamento, uma proteína que tem o mesmo efeito da proteína que está em falta nos doentes".
 

Através da administração desta proteína aos ratinhos com sobrecarga de ferro, os investigadores verificaram que por um lado, houve uma diminuição dos níveis de ferro e por outro lado se conseguiu proteger os ratinhos contra infeções.
 

A hemocromatose hereditária é uma doença caracterizada por uma sobrecarga de ferro, ou seja, estes doentes têm demasiado ferro no organismo. O ferro é essencial para várias funções no organismo, mas, quando está em excesso, é tóxico e deposita-se em vários tecidos, como o coração ou o fígado, levando ao desenvolvimento de problemas como cirroses ou cancro hepático.
 

Atualmente, os doentes com hemocromatose recebem o mesmo tratamento que já se faz há 50 ou 60 anos, as sangrias, que consiste em retirar sangue, que pode chegar a meio litro por semana, uma forma "não muito agradável" de retirar o ferro em excesso no organismo, disse João Arezes.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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