Hábitos tabágicos podem conduzir à cegueira

Declarações da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

29 maio 2015
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A propósito do Dia Mundial sem Tabaco que se comemora no próximo dia 31 de maio, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) lembra que fumar pode levar e agravar várias doenças oftalmológicas.


A maioria das pessoas não sabe que existe uma associação entre o fumo do tabaco e o desenvolvimento de doenças oculares que podem conduzir a uma diminuição grave da visão e mesmo à cegueira. Na opinião dos especialistas, alertar a população para este risco pode ser um fator chave na descontinuação tabágica.


“Está bem estabelecida a relação entre a exposição continuada ao fumo do tabaco e a degenerescência macular, doença de Graves, catarata, glaucoma, uveíte e doenças da superfície ocular, levando à cegueira irreversível em muitos casos”, explicou a presidente da SPO, Maria João Quadrado.


“Evidências científicas demonstram um efeito dose-dependente do fumo do cigarro nas doenças oculares, isto é, quanto maior a exposição, maior o risco de desenvolvimento e de progressão destas doenças”.


O comunicado de imprensa enviado à ALERT refere que, de facto, o tabaco acelera o processo de envelhecimento de todo o organismo, inclusive a nível ocular, uma vez que os químicos presentes no fumo aumentam os níveis de oxidantes e diminuem os níveis de antioxidantes. Desta forma, o fumo do tabaco pode duplicar o risco de desenvolver cataratas e degenerescência macular da idade, duas das principais causas de cegueira a nível mundial.


“A catarata resulta do processo normal de envelhecimento ocular. No entanto, os fumadores apresentam um risco muito maior de aparecimento da catarata, pela entrada de produtos tóxicos dentro do olho e pelo aumento da temperatura que o cigarro provoca. Quanto maior o número de cigarros que se fumou, maior o risco de apresentar catarata”, refere Maria João Quadrado.


A presidente da SPO refere ainda que “o tabaco duplica ou mesmo triplica o risco de desenvolver DMI (degenerescência macular da idade). Esta doença afeta a retina, nomeadamente a macula que é a zona responsável pela visão de leitura, podendo levar à cegueira legal. Os fumadores desenvolvem em média esta doença dez anos mais cedo que os não fumadores e quanto maior o tempo e maior o número de cigarros que a pessoa fumou durante a vida, maior o dano para a visão”.


Os hábitos tabágicos agravam também outras patologias. Nos diabéticos, o tabaco constitui um risco duas a três vezes maior de desenvolver retinopatia diabética, e agrava a doença depois de esta surgir. O fumo do cigarro piora a síndrome do olho seco com alterações da qualidade do filme lacrimal, diminuição da produção de lágrima e da sensibilidade da córnea e conjuntiva. Adicionalmente pode levar ao aparecimento de infiltrados e úlceras de córnea nos portadores de lentes de contato. É frequente o quadro de irritação, olhos vermelhos e lacrimejo associado à exposição do fumo do cigarro. O fumo do tabaco agrava também a alergia ocular, principalmente em crianças, tornando a doença crónica.


Alguns estudos têm demonstrado a associação entre fumar e o desenvolvimento de doença de Graves, neuropatia ótica isquémica e orbitopatia tiroideia, doenças graves que podem levar à perda súbita ou total de visão. Já quem fuma na gravidez aumenta o risco do bebé ter estrabismo, erros refrativos ou retinopatia. No entanto, deixar de fumar pode parar ou mesmo reverter algumas lesões oftalmológicas causadas pelo fumo do tabaco, dependendo do tipo e gravidade da doença.


A SPO lembra que os fumadores devem ter cuidados redobrados com a visão, consultando regularmente o seu oftalmologista.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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