Hábitos: porque são tão difíceis de quebrar?

Estudo publicado na revista “Neuron”

26 janeiro 2016
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Investigadores americanos sugerem que os hábitos deixam uma marca em circuitos específicos do cérebro, que nos leva a alimentar os nossos desejos, dá conta um estudo publicado na revista “Neuron”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Duke, nos EUA, aprofunda a compreensão científica de como os hábitos, como a ingestão de açúcar e outros vícios, se manifestam no cérebro e sugerem novas formas de interrompê-los.
 
“Um dia poderemos ser capazes de ter por alvo estes circuitos nas pessoas para ajudar a promover os hábitos que queremos e desistir daqueles que não queremos”, disse em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Nicole Calakos.
 
Para o estudo, os investigadores treinaram ratinhos saudáveis a terem hábitos de ingestão de açúcar de severidade variada, um processo que implicava pressionar uma alavanca para receber doces. Verificou-se que os animais continuavam a pressionar a alavanca, mesmo após os doces terem sido removidos.
 
Os investigadores compararam posteriormente o cérebro dos animais que tinham criado o hábitos com aqueles que não tinham. Foi analisada especificamente a atividade elétrica nos gânglios basais, uma complexa rede de áreas do cérebro que controla as ações motoras e os comportamentos compulsivos, incluindo dependência de drogas.
 
Nos gânglios basais, há duas vias que conduzem a mensagens opostas. Uma das vias impulsiona a adição dando um sinal verde a esta ação, enquanto a outra impede a adição. Verificou-se que estas duas vias estavam mais ativadas nos ratinhos habituados ao açúcar. No entanto, os investigadores ficaram surpresos ao ter verificado que a via que impedia a adição estava também ativada, uma vez que tradicionalmente é visto como um fator que ajuda a prevenir o comportamento. 
 
O estudo apurou que o tempo da ativação das duas vias era diferente. Nos ratinhos que tinham formado o hábito, a via que impulsionava o hábito era ativada primeiro que a outra. 
 
Os investigadores verificaram que estas alterações da ativação das vias ocorriam em toda a região dos gânglios basais que estava a ser estudada e não em subtipos específicos de células cerebrais. Na opinião de um dos investigadores Justin O'Hare isto pode estar relacionado com o facto da adição pode fazer com que a pessoa tenha mais propensão a ter outros hábitos poucos saudáveis ou adições. 
 
Com o objetivo de verificar se o hábito poderia ser quebrado, os investigadores encorajaram os ratinhos a deixar o hábito recompensando-os apenas se eles parassem de pressionar a alavanca. Os animais com mais sucesso foram aqueles com células em que o sinal que impulsionava a adição estava mais fraco. 
 
Contudo, os investigadores referem que ainda não sabem ao certo como estes achados podem ser traduzidos para ajudar os seres humanos com maus hábitos. Uma vez que os gânglios basais estão evolvidos numa vasta gama de funções, poderá ser complicado estas estruturas serem alvo de tratamentos.
 
Nicole Calakos refere que alguns investigadores estão já a explorar tratar a adição de drogas com a estimulação magnética transcraniana, uma técnica não invasiva que utiliza pulsos magnéticos para estimular o cérebro.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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