Há microplásticos no nosso organismo? Sim, alerta estudo

Estudo apresentado na Semana da Unidade Europeia de Gastroenterologia

30 outubro 2018
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Uma equipa de investigadores detetou a presença de microplásticos na cadeia alimentar humana, sob a forma de partículas de polipropileno (PP), polietileno-tereftalato (PET) e outros tipos de plástico.
 
Os microplásticos consistem em partículas minúsculas de plástico com menos de 5mm e são usados em vários produtos com finalidades diversas. Estas partículas podem também ser criadas de forma não intencional, quando peças de plástico maiores vão-se partindo gradualmente, quando expostas ao tempo, à degradação e ao uso.
 
O mais preocupante é que os microplásticos podem prejudicar a saúde humana através do trato gastrointestinal. Quando entram no trato gastrointestinal, os microplásticos podem afetar a tolerância e resposta imunitária dos intestinos através da bioacumulação ou ajudando na transmissão de químicos tóxicos e agentes patogénicos. 
 
Os investigadores da Universidade de Medicina de Viena e da Agência Ambiental de Viena, ambas na Áustria, conduziram um estudo em que monitorizaram um grupo de oito participantes de várias partes do globo, incluindo a Áustria, Finlândia, Holanda, Itália, Japão, Polónia, Reino Unido e Rússia. 
 
Nenhum dos participantes era vegetariano e seis deles consumiam peixe do mar. Durante a semana anterior à recolha das amostras fecais, cada participante registou num diário a sua alimentação. Os diários demonstraram que todos os participantes tinham estado expostos a plásticos, através do consumo de comida envolvida em plástico ou de bebidas em garrafas de plástico.
 
As amostras fecais foram testadas relativamente à presença de 10 tipos diferentes de plásticos, através de um procedimento recentemente desenvolvido. 
 
Foram identificados até nove plásticos diferentes nas fezes, os quais tinham tamanhos que variavam entre os 50 e os 500 micrómetros, tendo os mais comuns sido PP e PET. Foram encontradas em média 20 partículas de microplásticos por cada 10 gramas de fezes. 
 
Este estudo “confirma o que suspeitávamos desde há muito tempo, que os plásticos acabam por entrar nos intestinos humanos. De particular preocupação é o que isso significa para nós, e especialmente pacientes com doenças gastrointestinais”, alertou Philipp Schwabl, investigador que liderou este estudo.
 
“Embora as maiores concentrações de plástico em estudos com animais tenham sido encontradas nos intestinos, as partículas microplásticas mais pequenas são capazes de entrar no fluxo sanguíneo, sistema linfático e podem mesmo atingir o fígado”, explicou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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