Há falta de lares para pessoas com incapacidades mentais

Pais de adultos nesta situação vivem atormentados

08 abril 2014
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Existe uma enorme falta de capacidade de resposta por parte da sociedade e do Estado para dar resposta às necessidades dos adultos que possuem incapacidades mentais e que necessitam de cuidados especiais e permanentes.
 

Os pais destes adultos confessam viver atormentados com o dia em que deixarão de poder ajudar os filhos. Todavia, para tentar fazer face a este problema, um grupo de pais que se via a envelhecer e não encontrava respostas para os filhos uniu-se e formou, em 1994, a CEDEMA – Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Mentais Adultos com o objetivo de criar um lar.
 

No dia 22 de abril a associação vai inaugurar um lar em Odivelas, com capacidade para 24 utentes, que já está preenchida, disse a presidente da associação à agência Lusa.
 

"Infelizmente só estamos a responder a 10% das inscrições que temos”, lamentou Maria Antónia Machado, comentando que “os pedidos são muitos” e há “muito poucas respostas”.
 

A presidente admitiu que lhe faz “muita confusão” quando aparecem na associação “pais desesperados com filhos que saíram da escolaridade obrigatória, com paralisia cerebral e outras patologias, e não têm nenhuma resposta para eles”.
 

Com um filho adulto com trissomia 21, Maria Antónia disse que o “grande terror” destes pais é “fecharem os olhos” e não saberem como será o futuro dos filhos.
 

“As pessoas têm o seu trabalho, os filhos vão para a escola, e o que vão fazer com este familiar com 40 ou 50 anos com deficiência mental? Não o podem levar para o trabalho, não o podem levar para a escola, fica sozinho? Contrata uma pessoa a tempo inteiro? Sai caro. Fica numa instituição? Não há”, elucidou.
 

As famílias são muitas vezes obrigadas a colocarem adultos com estes problemas em lares de idosos, que não têm uma estrutura adequada para os acolher, ou por os deixarem em casa fechados à chave.
 

O “grande anseio” destes pais é saberem que, quando não puderem prestar a assistência aos filhos, estes “ficam bem”, numa resposta adequada às suas necessidades não só em termos de alojamento, alimentação e cuidados básicos, mas também em termos de ocupação e reabilitação.
 

A sociedade, por outro lado, parece ignorar este problema e o estado não é suficientemente interventivo. Oito a 10% da população sofre de problemas do foro mental e cerca de 2% tem perturbações de deficiência cognitiva, mas no entanto existe uma grande falta de visibilidade para esta questão.
 

O dia-a-dia destes pais também é complicado, como conta Rosa Carreto, voluntária da associação: Não é fácil para pais com 50, 60 anos “lidar fisicamente” com os filhos adultos e com dificuldade de mobilidade.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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