Há falta de diagnóstico precoce do cancro pancreático

Alerta do presidente da Europacolon Portugal

16 novembro 2018
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O presidente da Europacolon Portugal (Associação de Apoio ao Doente com Cancro Digestivo) alertou para a necessidade de “sensibilizar os médicos para o diagnóstico precoce” e “aumentar a investigação” relativamente ao cancro do pâncreas.
 
“Queremos que os médicos das unidades de cuidados de saúde primária e os médicos de família estejam mais sensibilizados para esta problemática, e que estejam também mais atentos a esta questão”, afirmou Vitor Neves, em entrevista à Lusa.
 
Segundo Vítor Neves, em Portugal, o cancro pancreático afeta cerca de 1.300 pessoas por ano e, apesar “de os números serem inferiores quando comparados com outras doenças”, a “mortalidade deste cancro é sobreponível à incidência”, com uma taxa de sobrevivência inferior a 10%.
 
“Os sintomas são de certa forma silenciosos, em parte, pela localização do tumor e porque, normalmente, podem coincidir com más disposições e doenças que os médicos desvalorizam, adiando o seu diagnóstico. Ao serem desvalorizados os sintomas, a doença agrava-se, sendo apenas detetada nas urgências dos hospitais, quando o doente começa a ficar em estado agudo”, esclareceu.
 
Os doentes de risco do cancro pancreático são pessoas com mais de 50 anos, fumadores, consumidores de bebidas alcoólicas ou que têm um histórico na família de vários tipos de cancro, doenças inflamatórias intestinais e pancreatite.
 
Quanto aos principais sintomas desta doença, são, sobretudo, dores na coluna dorsal, náuseas, depressões ou o aparecimento de diabetes.
 
“Não há rastreio do cancro do pâncreas, portanto, devemos caminhar para a execução de um diagnóstico precoce e aumentar a sensibilização, para que os médicos consigam identificar os sintomas e fazer um exame complementar de despiste do cancro”, frisou.
 
Para Vítor Neves, é “fundamental motivar” a indústria farmacêutica, mas também os institutos de investigação pública, para a “pesquisa de marcadores que possam dar meios de haver um rastreio prévio a esta doença”.
 
“Até agora só 2% do dinheiro que se investe em investigação oncológica é dedicado ao cancro pancreático. Em 2018, a investigação está ao nível do que estava há 40 anos, isto porque não há casuística suficiente que justifique o retorno”, sublinhou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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