Há dadores de sangue que passam fome

Níveis baixos de hemoglobina impedem dadores de doar sangue

31 março 2014
  |  Partilhar:

O presidente da Federação das Associações de Dadores de Sangue (FAS) denunciou que “há gente com fome que quer mas não consegue dar sangue, porque tem as hemoglobinas em baixo, por não comer o que devia”, noticiou a Agência Lusa.
 

Joaquim Moreira Alves foi quem alertou para a situação numa intervenção durante a cerimónia que assinala o Dia Nacional do Dador de Sangue, que juntou dezenas de dadores no Parque da Saúde, em Lisboa.
 

O presidente da FAS mostrou-se preocupado com as consequências da fome na saúde de alguns dadores que, durante o exame médico ao serem confrontados com os níveis baixos de hemoglobina, são impedidos de doar sangue. “Esta situação está a fazer baixar o número de dádivas”, afirmou Joaquim Moreira Alves.
 

Helder Trindade, presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), disse não ter conhecimento de casos de dadores com fome nas brigadas de recolha de sangue. “É natural que a situação social que se vive, e não estou a falar de fome, faça parte das razões que levam os dadores a não fazer mais dádivas”, afirmou.
 

Perante a denúncia do presidente da FAS, o secretário de Estado e Adjunto da Saúde, que também participou na cerimónia do Dia Nacional do Dador de Sangue, afirmou que não tinha a certeza de haver uma perda de dadores tão substancial devida a anemias carenciais. “O importante é que as pessoas a quem é identificada esta situação sejam encaminhadas para os serviços médicos para que se descubram os problemas que causam a baixa hemoglobina”, comentou Fernando Leal da Costa.
 

Alberto Mota, presidente da Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES), ressalvou que, apesar das “grandes dificuldades que muitos dadores atravessam, estes continuam a fazer as suas dádivas”. O presidente considera ainda que os dadores de sangue deveriam ter mais direitos e que deveriam ser criadas medidas para atrair os mais novos.
 

Segundo o presidente do IPSS, nos primeiros dois meses deste ano registou-se uma descida de 11 por cento dos dadores, em relação ao período homólogo de 2013, e uma diminuição de nove por cento nas colheitas.
 

Estará em breve uma nova campanha do IPST nas televisões, rádios, internet e imprensa escrita com o intuito de atrair mais dadores de sangue como o tema “A primeira vez é sempre memorável”.
 

O secretário de Estado e Adjunto da Saúde anunciou ainda que, dentro de uma ou duas semanas, estará pronto o seguro para os dadores de sangue que pretende garantir ao dador, ou candidato a dador, o direito a ser indemnizado pelos danos resultantes da dádiva de sangue ou de acidentes que eventualmente sofram no trajeto de ida e regresso para o local de colheita.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.