Guerra entre mosquitos poderia acabar com a malária
03 dezembro 2001
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Um cientista australiano pretende utilizar genes modificados através de um método que desenvolveu para os mosquitos Anopheles parem de transmitir a malária, doença que mata uma criança a cada dez segundos.
 

 

"Já há algum tempo que descobrimos como criar os genes que impedem o mosquito de transmitir Plasmodium (um protozoário, como a ameba) que propaga a malária, o que se desconhecia era a forma de introduzir esses genes em grandes populações de mosquitos", explicou Stephen Davis.
 

 

Os estudos que realiza na Organização Australiana para a Investigação Científica e Tecnológica (CSIRO, em inglês) permitiram-lhe desenhar o plano de inocular um grupo de mosquitos machos com quatro genes alterados em laboratório, dois do tipo A e outros tantos do tipo B, e deixá-los em liberdade.
 

 

Os descendentes (híbridos) que herdem um gene do tipo A e outro do tipo B não poderão transmitir a malária mas manter-se-ão vivos, os que apenas herdarem um gene modificado e outro que provenha da fêmea selvagem, morrerão. "Vão morrer porque cada um destes genes leva um promotor e um supressor, e a sua interacção neutraliza-os, por isso apenas os que tenham os dois sobrevivem", indicou.
 

 

Desta forma, "provoca-se na população de mosquitos uma luta pelo domínio entre os transgénicos (mais fortes) e os selvagens (mais débeis). O mais animador é que apenas com cerca de três por cento dos primeiros se pode chegar a modificar uma comunidade inteira". Depois de quatro anos de investigação, Davis assegura que a hipótese "funciona perfeitamente no computador".
 

 

"Faltam-nos pelo menos mais três anos de experiências em laboratório e depois experimentar com populações mais pequenas antes de poder actuar em grande escala", acrescentou.
 

 

Centenas de cientistas procuram novas fórmulas para terminar com o pesadelo dos mosquitos anófeles. Chegou-se a tentar introduzir milhares de milhões de mosquitos estéreis para acabar com a população, um sistema que resultou com a mosca tsetsé na ilha de Zanzibar (Tanzânia) e a mosca vérmina na América do Norte, mas que se revelou inútil com o anófeles pela quantidade incomensurável destes animais que existe no mundo.
 

 

Genes saltadores
 

 

Uma equipa britânica dirigida por Andrea Crisanti, do Imperial College of London, propôs a ideia dos "genes saltadores", inventados no ano passado ao introduzir uma bactéria geneticamente modificada em ovos de um mosquito anófeles.
 

 

As partículas de ADN chamadas "genes saltadores" são inseridos nos cromossomas do mosquito, introduzindo uma série de instruções genéticas oferecendo a possibilidade de modificar o anófeles para que não seja portador de "plasmodium".
 

 

No entanto, a proposta recebeu a oposição dos que temiam que bactéria invadisse outras espécies animais. Agora surge o plano de Davis, que poderá ser utilizado para outras aplicações, como acabar com os insectos imunes a insecticidas. "Tendo em conta que a cada dez segundos morre uma criança no mundo por causa da malária, pareceu-nos que a aplicação mais evidente era esta doença", disse o cientista australiano.
 

 

A maior doença infecciosa
 

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) ratifica este número e as suas estatísticas mostram que se trata da doença infecciosa que causa maior número de vítimas mortais (três milhões de pessoas anualmente), mais do que a tuberculose, e infecta 500 milhões de pessoas todos os anos.
 

 

O parasita da malária ataca primeiro o fígado e, pouco a pouco, destrói as células sanguíneas, provoca uma anemia e favorece a introdução de toxinas que provocam febres de elevada temperatura ao doente.
 

 

Os primeiros sintomas são semelhantes aos da gripe, febre, arrepios, dores de cabeça e dores musculares, mas em etapas mais avançadas chega a causar a morte.
 

 

 

Fonte: Lusa
 

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