Guardar cabelo até à clonagem

Depósito subterrâneo dá alento a carecas

21 maio 2002
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Muito possivelmente nunca lhe passou pela cabeça guardar madeixas cabelo para mais tarde, quando a calvície teimar em atacar, poder clonar os pequenos fios e implantá-los no couro cabeludo?
 

 

Mas se tem medo de perder a sua farta cabeleira, o melhor é precaver-se. Tendo por base esta fabulosa ideia, uma empresa norte-americana com sede em São Francisco, a Hairogenics Inc., lançou recentemente um novo serviço para os homens com pavor a ficar carecas. Trata-se de um cofre subterrâneo com controlo de temperatura e protegido contra incêndios, inundações e terramotos onde poderá depositar as madeixas de cabelos.
 

 

E porquê tudo isto, estará agora a interrogar-se. Porque, a filosofia da empresa é guardar as amostras de cabelos dentro de um cofre subterrâneo especial, de modo a que se mantenham frescas, até que a ciência consegua clonar cabelo a partir do ADN.
 

 

Michael Blaylock, director-executivo da Hairogenics, promete manter o cabelo dos seus clientes a são e salvo num cofre situado mesmo por baixo de um salão de cabeleireiros em Portland, Oregon.
 

 

Nesse dito cofre, o cabelo será fechado a vácuo em pacotes à prova d'água e mantido em ambiente escuro, com temperatura controlada, para proteger da luz e da humidade, assegura o responsável.
 

 

Segundo Blaylock, a escolha do local para abrigar o cofre teve em vista uma série de factores, entre muitos, porque o solo tem grande quantidade de argila, que é conhecida pela boa capacidade de preservação natural do material de ADN humano.
 

 

Por enquanto, a empresa já inscreveu cerca de 200 clientes. Pela amostra inicial, a Hairogenics cobra cerca de 50 dólares, enquanto o custo de preservação ronda os dez dólares anuais.
 

 

Para o mentor do projecto, este vai ser mesmo um grande negócio. A empresa investiu cerca de 100 mil dólares, mas o cofre foi projectado para receber até 800 mil amostras. É que, avança o director da empresa, mais de 50 milhões de homens na América sofrem de algum tipo de calvície hereditária.
 

 

Cepticismo
 

 

Especialistas em calvície, contactados pela Reuters, concordaram que a tecnologia para clonar cabelo humano possa ser desenvolvida entre os próximos cinco a dez anos.
 

 

Mas alguns, no entanto, disseram duvidar da abordagem da Hairogenics, observando que a maioria dos carecas conserva pelo menos um pouco de cabelo, facto que permitirá a possibilidade de clonagem. Por esta razão, os especialistas consideram desnecessário este método apresentado pela Hairogenics.
 

 

«Lucrativo, mas desnecessário». Foi esta a opinião dos representantes da Male Pattern Baldness Research, um grupo da Flórida que recolhe informações sobre as causas e tratamentos contra a calvície.
 

 

Para Hayes Gladstone, director da divisão de cirurgia dermatológica do Centro Médico de Stanford, disse que para uma possível clonagem não importa se o cabelo vem de um dador de 20 ou de 60 anos. «O que interessa é o cabelo vivo», defendeu o especialista.
 

 

Mas Blaylock, o mentor do projecto, não concorda e defende-se dos argumentos. "Mas uma pessoa quer ter cabelo brilhante e saudável ou aquela coisa cinzenta?". E volta a reforçar todas os benefícios de guardar cabelo saudável dentro do cofre . «O depósito subterrâneo poderá manter o cabelo em óptima forma durante 400 anos. E garanto que, quando for possível a clonagem, os clientes vão ter cabelo mais saudável e grosso».
 

 

Quer seja verdade ou simples banha da cobra, certo é que Blaylock afirmou já ter clientes de ambos os sexos, incluindo pessoas que não sendo carecas desejavam conservar os seus cabelos caso ocorra algum desastre natural.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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