Grupo sanguíneo AB associado com o risco AVC

Estudo apresentado na reunião anual da American Heart Association

23 novembro 2011
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Pessoas com certos grupos sanguíneos podem ter um risco aumentado de acidente vascular cerebral (AVC), sugere um novo estudo apresentado na reunião anual da American Heart Association.

 

No estudo, os cientistas verificaram que as pessoas pertencentes aos grupos sanguíneos AB tiveram um risco aumentado de AVC na ordem de 26%, mas não verificaram qualquer prova de causa e efeito. Os investigadores analisaram dados de quase 62 mil mulheres que participaram no estudo da saúde dos enfermeiros e cerca de 28 mil homens que participaram do estudo de acompanhamento de profissionais de saúde. Os participantes foram acompanhados entre 20 e 26 anos.

 

Durante esse período, tanto homens, como mulheres, com o grupo sanguíneo AB, apresentaram um aumento de 26% no risco de AVC, em comparação com os que tinham o grupo sanguíneo O.

 

Nas mulheres, também foi associado o grupo B com um aumento de 15% no risco de AVC em comparação com as mulheres da mesma idade com sangue do grupo O. Nenhuma associação semelhante foi verificada entre os homens. O grupo sanguíneo A também não foi associado com um risco de AVC em ambos os géneros.

 

"O grupo sanguíneo AB mostrou a associação mais consistente com AVC", disse, em comunicado de imprensa, o autor do estudo Qi Lu, professor assistente de medicina na Harvard Medical School, em Boston.

 

As pessoas podem ter um de oito grupos sanguíneos possíveis, que diferem pela presença ou ausência de certos antígenios na superfície dos glóbulos vermelhos ou eritrócitos. O grupo sanguíneo O, cujos portadores são conhecidos como dadores universais, foi o mais comum em pessoas caucasianas do grupo estudado. Cerca de 43% tinham grupo O, 36%, grupo A, o grupo B correspondeu a 13%o, e cerca de 7,5% tinham AB. O factor RH, que depende da presença ou ausência de outros antigénios de superfície dos eritrócitos, determina se um grupo de sangue é positivo ou negativo.

 

Comentando o estudo, Larry Goldstein, da Universidade de Duke e porta-voz da American Heart Association, disse não se conhecer ao certo por que alguns grupos de sangue podem aumentar o risco de AVC, ou mesmo, se existe uma relação. É possível que o grupo sanguíneo represente um outro factor que influencie o risco de AVC, acrescentou o especialista.

 

“É difícil saber se o tipo de sangue é um marcador de outra coisa ou se há uma relação directa", afirmou Goldstein. "Por exemplo, pode haver algum outro factor genético que aparece em conjunto com o grupo de sangue ou que o grupo se associe com o sangue e possa afectar o risco de AVC."

 

No estudo, os cientistas tiveram em conta a idade, tabagismo e níveis de actividade física, mas não factores, como níveis de colesterol e diabetes, que podem ter influenciado o risco de AVC, disse Goldstein.

 

Um estudo publicado na edição de Janeiro da revista “Lancet” referia ter verificado que o grupo O pode oferecer alguma protecção contra o enfarte agudo do miocárdio. Mas outros estudos sobre o grupo sanguíneo e o risco de doença não têm demonstrado uma associação consistente, disse Goldstein.

 

Futuras investigações irão observar o risco de AVC e o grupo sanguíneo noutros grupos étnicos, e também tentar descobrir que mecanismo biológico explique esta associação.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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