Gripe: vacina universal pode estar para breve

Estudo publicado na “Nature”

19 setembro 2012
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Investigadores americanos descobriram a estrutura de um anticorpo humano que pode neutralizar o vírus influenza de forma única, dá conta um estudo publicado na “Nature.

 

Neste estudo, os investigadores do The Scripps Research Institute e do Sea Lane Biotechnologies, nos EUA, começaram por recolher a medula óssea de pacientes que tinham sido previamente expostos a determinadas estirpes do vírus da gripe. A medula óssea contém o registo de todos os anticorpos que um indivíduo produz.

 

Após terem sequenciado uma biblioteca enorme de anticorpos capazes de se associar a proteínas dos vírus influenza A, a mais perigosa família de vírus da gripe, os investigadores isolaram um anticorpo invulgar, o C05.

 

Os investigadores, liderados por Ramesh R. Bhat, verificaram que este anticorpo protegeu as células contra a infeção destes vírus. A administração de doses relativamente baixas de C05 a ratinhos também os protegeu contra infeções do influenza A, apesar de terem sido expostos a quantidades letais do vírus. Foi também observado que o C05 salvou 100% dos animais, mesmo após ter sido administrado três dias após o começo da infeção.

 

O estudo apurou que o C05 tinha uma propriedade única, dado que reconhece e bloqueia a região do vírus que medeia a sua ligação às células hospedeiras. Esta região é determinante para que o processo de infeção ocorra, estando esta relativamente mais exposta à ação do sistema imune que as restantes regiões. Desta forma, este seria um alvo ideal para a ligação dos anticorpos. Contudo, esta região é demasiado pequena.

 

Através da utilização de uma técnica de cristalografia, entre outras, os cientistas determinaram onde e como os anticorpos se associavam aos seus alvos, tendo descoberto que o C05 se ligava aos vírus de uma forma única.

 

Contrariamente a outros anticorpos, este associa-se apenas a uma região do vírus que não varia muito de estirpe para estirpe, conseguindo assim neutralizar uma vasta gama de vírus influenza A como os subtipos H1, H23 H3 e H9.

 

“Se formos capazes de induzir a produção deste tipo de anticorpos através da administração de uma vacina, teremos algo muito útil”, revelou em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Lawrence Horowitz.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.  
 

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