Gripe: desenvolvimento de vacina universal está mais perto

Estudo publicado na “Nature Medicine”

25 setembro 2013
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Investigadores do Reino Unido acreditam ter dado mais um passo significativo no desenvolvimento de uma vacina universal contra a gripe, a qual poderá proteger contra todas as estirpes do vírus responsável pela gripe sazonal e impedir o desenvolvimento de futuras pandemias, dá conta um estudo publicado na “Nature Medicine”.
 

As atuais vacinas contra a gripe ativam o sistema imunitário para que este produza anticorpos capazes de reconhecer proteínas na superfície dos vírus. Quando o vírus entra em contacto com um indivíduo imunizado, o sistema imunitário monta um ataque contra o organismo invasor.
 

A dificuldade deste tipo de abordagem está no facto de as proteínas de superfície do vírus da gripe estarem constantemente a ser alteradas. Desta forma as vacinas têm se ser desenvolvidas todos os anos à medida que novas estirpes aparecem. Contudo, a parte interna do vírus é mais estável. Estudos anteriores sugeriram que alguns tipos de células imunes são capazes de proteger contra a gripe pois reconhecem estas proteínas que não se modificam.
 

No entanto, neste estudo os investigadores do Imperial College London, no Reino Unido, utilizaram a pandemia de 2009 como uma experiência natural para investigar por que motivo algumas pessoas resistem à doença. Foram recrutados 342 indivíduos os quais forneceram, desde o início da epidemia, amostras de sangue e de secreções nasais. Os participantes reportaram, ao longo das duas seguintes temporadas de gripe sazonal, qualquer sintoma de gripe.
 

O estudo apurou que os indivíduos que se sentiram mais gravemente doentes tinham poucos linfócitos TCD8, um tipo de células imunes capazes de matar o vírus. Por outro lado, aqueles que, apesar de terem sido infetados não tiveram sintomas ou tiveram apenas sintomas moderados, apresentaram uma maior concentração destas células.
 

O líder do estudo, Ajit Lalvani, revelou que o sistema imunológico produz estas células em resposta à gripe sazonal habitual. Contrariamente aos anticorpos, as células TCD8 têm por alvo a parte interna do vírus que não sofre alterações.
 

“Já sabíamos como estimular o sistema imunológico para produzir os linfócitos TCD8 através da vacinação. Agora que sabemos que estas células podem proteger, podemos desenhar uma vacina que consiga impedir o desenvolvimento de sintomas e a transmissão da infeção. Este tipo de vacina poderia limitar significativamente a gripe sazonal e proteger contra futuras pandemias”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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