Gripe A causou mais complicações neurológicas nas crianças que a sazonal

Estudo publicado no “Annals of Neurology”

21 setembro 2010
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A pandemia de gripe A (H1N1) de 2009 causou uma taxa de complicações neurológicas em crianças maior que a registada pela gripe sazonal, de acordo com um estudo da University of Utah, nos EUA, publicado no “Annals of Neurology”. As complicações mais comuns nas crianças foram convulsões e encefalopatia.

 

Os investigadores, liderados por Josh Bonkowsky, analisaram as complicações neurológicas em crianças com H1N1, comparando as mesmas patologias sofridas pelas crianças (menores de 19 anos) que tiveram gripe sazonal. O estudo incluiu crianças hospitalizadas com H1N1 e complicações neurológicas entre Abril e Novembro de 2009. No grupo de comparação, a equipa usou os registos de crianças hospitalizadas com gripe sazonal e complicações neurológicas de 1 de Julho de 2004 a 30 de Junho de 2008.

 

As complicações neurológicas observadas incluíram convulsões, febre, encefalopatia, encefalite, miosite, mialgia, afasia, ataxia, neuropatia e síndrome Gullain-Barre.
Os cientistas identificaram 303 crianças hospitalizadas com H1N1, das quais 18 apresentaram complicações neurológicas. Os investigadores observaram que os sintomas neurológicos mais frequentes neste grupo foram convulsões e encefalopatia, tendo também verificado que mais de metade das crianças com convulsões apresentou um estado grave de epilepsia.

 

O grupo de comparação incluiu 234 crianças hospitalizadas por gripe sazonal, sendo que 16 destas apresentaram problemas neurológicos. No grupo da gripe sazonal, apenas 25% dos pacientes tinham condições médicas subjacentes. Os investigadores também descobriram que nenhum dos pacientes com gripe sazonal, que também apresentava complicações neurológicas, tinha encefalopatia, afasia ou deficits neurológicos focais.

 

Em comparação com a gripe sazonal, os pacientes com H1N1 foram mais propensos a apresentarem anormalidades no electroencefalograma. "No grupo do H1N1 verificámos mais situações de pacientes pediátricos que apresentavam deterioração neurológica e que precisaram de medicação antiepiléptica quando lhes foi dada alta hospitalar”, explicou o líder da investigação, em comunicado de imprensa.

 

Além disso, os investigadores também descobriram que o uso de esteróides ou de imunoglobulina intravenosa não foi benéfico no tratamento da encefalopatia. Para Bonkowsky, "a ausência de tratamentos comprovados para as complicações neurológicas associadas à gripe sublinha a importância da vacinação".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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