Gripe: a caminho de uma vacina universal?

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

16 setembro 2016
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Investigadores americanos descobriram um tipo de anticorpo imune que pode rapidamente evoluir e neutralizar uma vasta gama de estirpes do vírus da gripe, incluindo aqueles com os quais o organismo ainda não teve contacto prévio, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 
De acordo com Wayne A. Marasco, líder do estudo, a capacidade de o organismo produzir um anticorpo adaptável sugere potenciais estratégias para melhorar ou mesmo criar uma vacina universal contra a gripe.
 
A nova proteína, a 3I14 mAb, é um anticorpo amplamente neutralizante, ou seja, é capaz de reconhecer e desativar um vasto grupo das 18 estirpes do vírus da gripe que circulam em todo o mundo.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores do Instituto de Oncologia Dana-Farber, nos EUA, apurou que o anticorpo 3I14 é capaz de neutralizar os dois tipos principais do vírus da gripe A, grupo 1 e 2, e proteger ratinhos contra doses letais do vírus.
 
O 3I14 é constituído pelos linfócitos B de memória, um tipo de leucócitos que circulam na corrente sanguínea e que residem no baço e na medula óssea. Quando um indivíduo é exposto a um agente infecioso, ou recebe uma vacina que contém fragmentos do agente, os linfócitos B que respondem aos invasores podem gerar uma memória contra este mesmo agente. A população destes linfócitos B constitui uma reserva defensiva que pode rapidamente reconhecer e atacar os microrganismos que entrarem de novo no organismo. 
 
Contrariamente a muitos agentes infeciosos, em que o organismo pode ficar protegido apenas com uma vacina, o vírus Influenza está constante e rapidamente a mutar, e também se combina com outros vírus da gripe de animais e pássaros. A mudança ocorre a cada temporada da gripe e é responsável pela gripe sazonal. As alterações mais dramáticas, que ocorrem quando novos vírus surgem a partir de reservatórios animais e aves, são responsáveis por pandemias potencialmente mais graves, como aquela que ocorreu em 2009.
 
Para o estudo, os investigadores recolheram amostras de sangue de sete dadores que apresentavam este tipo de anticorpos. Posteriormente, os linfócitos B foram expostos a várias estirpes do vírus da gripe e foi identificada a população das células que era capaz de reconhecer todas a estirpes. Através da análise do ADN desta população, os investigadores isolaram o gene que codifica para o anticorpo 3I14.
 
O estudo apurou que o anticorpo era capaz de se ligar a uma porção não modificável do vírus da gripe e a sua composição genética deu-lhe flexibilidade para se adaptar ou evoluir através de mutações e neutralizar uma vasta gama de vírus da gripe. 
 
Os investigadores expuseram os linfócitos B ao vírus da gripe do tipo H5, com o qual as células nunca tinham tido contacto. Apesar de o anticorpo 3I14 não se ter ligado inicialmente com muita força ao vírus, após a introdução de uma mutação, a sua capacidade de ligação aumentou dez vezes. Wayne A. Marasco explica que a mutação simples inserida é semelhante a uma que pode ocorrer naturalmente na natureza. 
 
Estes resultados sugerem que a memória dos linfócitos B pode estar continuamente a ser diversificada através das mutações. Como resultado, através deste mecanismo, os linfócitos B podem adquirir memória imunológica e reconhecer todas as estirpes de vírus. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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