Gravidez: toma de antibióticos associada a sibilâncias na infância

Estudo publicado no “European Respiratory Journal”

09 dezembro 2015
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A toma de antibióticos durante o terceiro trimestre de gravidez conduz a um risco de sibilâncias na infância, defende um estudo publicado no “European Respiratory Journal”.
 
Para o estudo os investigadores da Universidade de Turin, na Itália, contaram com a participação de mais de 3.500 mulheres e seus filhos. Foi recolhida informação relativamente à toma de antibióticos ao longo do primeiro e terceiro trimestre de gravidez, bem como a ocorrência de sibilâncias nas crianças até aos 18 meses.
 
Os investigadores, liderados por Maja Popovic, focaram-se em vários fatores que poderiam explicar o risco de sibilâncias encontrado após a toma de antibióticos durante a gravidez. Estes fatores incluíram idade materna, nível de educação, número de filhos, antecedentes tabágicos da mãe, toma de paracetamol ao longo da gravidez, antecedentes de asma, problemas respiratórios ou infeções durante a gravidez. Foi realizada uma análise estatística para avaliar se o risco de sibilâncias existia quando todos estes fatores eram tidos em conta.
 
O estudo apurou que não havia qualquer evidência de uma associação entre a exposição a antibióticos durante o primeiro trimestre de gravidez e a ocorrência de sibilâncias na infância. O maior risco de sibilâncias na infância foi, em grande parte, explicado por infeções respiratórias e urinárias. As infeções geniturinárias foram associadas a um maior risco de sibilâncias na infância, mesmo quando as mães não tinham sido tratadas com antibióticos.
 
Contudo, os investigadores verificaram que o risco excessivo de sibilâncias ocorreu após a toma de antibióticos ao longo do terceiro trimestre de gravidez, não podendo este risco ser explicado por outros fatores.
 
De acordo com Maja Popovic, estes resultados demonstraram que o risco aumentado de sibilâncias na infância está associado à toma de antibióticos durante a gravidez, mas em grande parte pode ser explicado por outros fatores, particularmente as infeções maternas durante a gravidez. Contudo, todos os fatores considerados no estudo não conseguiram explicar o risco de sibilância recorrente quando as mães tomaram antibióticos durante o terceiro trimestre de gravidez. Isto é importante uma vez que a sibilância recorrente é uma condição mais grave que prevê problemas respiratórios posteriores desfavoráveis. 
 
Alguns estudos têm demonstrado que a toma de antibióticos durante este período da gravidez altera a composição das bactérias das mães, que quando transmitida aos filhos pode modificar o desenvolvimento do sistema imunológico e explicar o aumento de suscetibilidade às infeções e sibilâncias. 
 
“Uma vez que identificamos que este risco ainda existe nesta fase final da gravidez, sugerimos que devem ser realizados mais estudos para entender esta associação e esclarecer o mecanismo subjacente para que possam ser desenvolvidas intervenções práticas de saúde pública, com o intuito de minimizar a exposição desnecessária a antibióticos durante a gravidez", conclui Maja Popovic.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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