Gravidez tardia aumenta risco de AVC e enfarte

Estudo do Instituto Qureshi Zeenat

22 fevereiro 2016
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As mulheres que ficam grávidas aos 40 anos ou mais tarde apresentam um risco maior de acidente vascular cerebral (AVC) ou enfarte agudo do miocárdio mais tarde na vida que aquelas que são mães mais cedo, revela um estudo apresentado na Conferência Internacional sobre o AVC 2016, organizada pela Associação Americana do AVC.
 

“Já sabíamos que as mulheres mais velhas eram mais propensas que as mais jovens a terem problemas de saúde durante a gravidez. Agora, sabemos que as consequências de uma gravidez tardia ocorrem anos mais tarde”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Adnan I. Qureshi. Na opinião do investigador esta descoberta é especialmente importante uma vez que há cada vez mais mulheres a optarem por ter filhos depois dos 40.
 

Para o estudo os investigadores reviram os dados de 72.221 mulheres que tinham idades compreendidas entre os 50 e os 79 anos. No total, 3.306 mulheres tiveram gravidezes tardias. Foram comparadas ao longo dos 12 anos seguintes, as taxas de AVC, enfarte agudo do miocárdio e morte cardiovascular destas mulheres com as que tinha ficado grávidas mais novas.
 

O estudo apurou que comparativamente com as mulheres que foram mães cedo, as que só foram aos 40 anos ou mais tarde apresentavam um risco mais elevado de AVC isquémico (o tipo mais comum de AVC) que variou entre 2,4 a 3,8% e de AVC hemorrágico que variou entre 0,5 a 1%. Adicionalmente verificou-se que estas mulheres apresentavam também um maior risco de enfarte agudo do miocárdio que variou entre 2,5 a 3% e morte por todas as formas de doença cardiovascular tendo variado entre 2,3 a 3,9%.
 

Após terem verificado os fatores de risco conhecidos para a doença cardiovascular, incluindo pressão arterial elevada, diabetes e níveis altos de colesterol, os investigadores descobriram que esses fatores explicavam a maior parte do risco mais elevado das mulheres grávidas mais velhas. No entanto, esses fatores de risco não explicam a ligação entre a gravidez tardia e o acidente vascular cerebral causado por uma hemorragia cerebral. Na opinião dos investigadores esta associação necessita de mais investigação.
 

A idade da última gravidez não foi considerada um fator de risco para o AVC, enfarte agudo do miocárdio e outras doenças cardiovasculares. "No entanto, as mulheres com uma gravidez tardia necessitam de estar conscientes do seu risco aumentado e tomar medidas para melhorar a saúde cardiovascular. Por outro lado, os médicos têm de estar vigilantes, monitorizando os fatores de risco destas mulheres através de exame físico e, talvez seja necessário realizar mais testes e intervenções precoces para prevenir o AVC e outros eventos cardiovasculares”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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