Gravidez: resposta imune associada ao desenvolvimento de esquizofrenia nos filhos

Estudo publicado no “Schizophrenia Research”

17 agosto 2010
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As mulheres que tiverem gripe ou que foram infectadas durante a gravidez com um vírus ou outro tipo de patogénio têm um maior risco de dar à luz bebés que irão sofrer de esquizofrenia, revela um estudo publicado na revista “Schizophrenia Research”.

 

Estudos anteriores realizados por investigadores da Temple University, em Filadélfia, EUA, já haviam estabelecido uma ligação entre a exposição materna ao vírus da gripe e o aumento do risco de esquizofrenia nos filhos, contudo, a razão dessa ligação ainda era desconhecida. Para descobrir uma possível causa do aumento do risco, a equipa de investigadores liderada por Lauren Ellma centrou a atenção na resposta imune da grávida contra as infecções.

 

Para tal, foram analisadas as amostras de sangue de um grupo de aproximadamente 12.000 grávidas, recolhidas durante cada trimestre da gravidez. Tanto as mulheres como os seus filhos foram seguidos após o parto.

 

O estudo revelou que havia uma associação directa entre as alterações observadas na estrutura cerebral das crianças que haviam sido diagnosticadas com esquizofrenia e o aumento dos níveis de interleuquina-8 (IL-8), uma citoquina pró-inflamatória produzida como resposta à infecção durante a gravidez.

 

Os níveis de IL-8 não estavam associados a nenhuma alteração cerebral no grupo controlo, o que indica que é necessário que exista já uma susceptibilidade para o desenvolvimento da esquizofrenia para que o cérebro do feto seja afectado, concluem os autores do estudo.

 

Em comunicado enviado pela universidade, Lauren Ellma refere que estes resultados "reforçam a importância das contribuições pré-natais para o desenvolvimento da esquizofrenia, as quais têm implicações para a prevenção, intervenção precoce e estratégias de tratamento".

 

De acordo com a líder do estudo, as alterações no sistema imunológico que ocorrem durante a gravidez reduzem algumas das principais defesas do organismo e contribuem para uma maior susceptibilidade face às infecções. Para além disso, estados emocionais da gestante, como o stress, podem alterar o funcionamento do sistema imunológico. Este aumento da vulnerabilidade à infecção ocorre numa altura em que o cérebro fetal se encontra sob um processo de grande desenvolvimento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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