Gravidez promove o crescimento de bactérias intestinais

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

22 abril 2019
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Uma equipa de investigadores descobriu que a gestação causa o desenvolvimento de bactérias intestinais na grávida que poderão ajudar no desenvolvimento do bebé.
 
Os investigadores da Universidade de Bar-Ilna, em Israel, verificaram, pela primeira vez, que aquelas bactérias “sentem” a gravidez e reagem para ajudarem os bebés a decompor os açúcares no leite materno.
 
Para a sua investigação, a equipa analisou alterações nas bactérias à medida que a gravidez evoluía. Foi descoberta uma alteração substancial na composição das bactérias durante as etapas mais avançadas da gravidez, incluindo um aumento da bactéria Bifidobacterium.
 
Além da sua importância na decomposição dos açúcares do leite materno, a Bifidobacterium contém ainda capacidades probióticas. Estudos anteriores demonstraram que a ausência de aumento desta bactéria está correlacionada com o parto prematuro.
 
A equipa liderada por Omry Koren e Yoram Louzon descobriu ainda que as mulheres grávidas apresentavam um aumento no índice de progesterona, acompanhado por um aumento da resposta inflamatória. 
 
Os investigadores detetaram também um aumento noutras bactérias, mas a Bifidobacterium foi a única que se revelou idêntica à observada na gestação em ratinhos. 
 
Com efeito, ao imitarem a gestação em ratinhos, usando progesterona, os investigadores observaram mais uma vez um aumento na Bifidobacterium. Isto levou a equipa a concluir que esta bactéria se apercebe, de alguma forma, da presença da progesterona e reage à hormona. 
 
A equipa experimentou administrar progesterona “in vitro” e mais uma vez a Bifidobacterium aumentou rapidamente, permitindo que a equipa chegasse à mesma conclusão.
 
“Os resultados traçam um modelo em que a progesterona promove o crescimento da Bifidobacterium durante o final da gravidez. Os achados permitem perceber não só a relação entre as hormonas e as bactérias intestinais durante a gravidez, como também outros problemas que envolvam hormonas, como suplementação com progesterona como componente de tratamentos de fertilidade ou tratamento em mulheres na menopausa”, concluiu Omry Koren.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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