Gravidez: por que motivo o sistema imune da mãe não rejeita o feto?

Estudo publicado na “Science”

12 junho 2012
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Investigadores americanos descobriram, em parte, o motivo pelo qual, o sistema imunitário da mãe não rejeita o feto como um tecido estranho, dá conta um estudo publicado na “Science”.

 

Os investigadores liderados por Adrian Erlebacher descobriram que a implantação do embrião desencadeia um processo que, em última análise, inativa uma via necessária para que o sistema imunológico ataque os corpos estranhos. Deste modo, as células imunes nunca são recrutadas para o local do implante e, consequentemente, não podem prejudicar o desenvolvimento do feto.

 

Uma característica central da defesa natural do sistema imunitário contra os tecidos transplantados estranhos e agentes patogénicos é a produção de um tipo de proteínas, as quimiocinas, como um resultado da resposta inflamatória local. As quimiocinas são recrutadas por vários tipos de células do sistema imunológico, incluindo os linfócitos T ativados, que se acumulam e atacam o tecido ou patógenio. O recrutamento de quimiocinas, mediado pelos linfócitos T ativados, para locais de inflamação é uma parte integrante da resposta imune.

 

Contudo, durante a gravidez os antigénios do feto em desenvolvimento e da placenta entram em contacto com as células do sistema imune materno, mas não provocam uma resposta de rejeição típica tal como ocorre nos casos dos órgãos transplantados.

 

Estudos prévios realizados pela mesma equipa de investigação da New York University, nos EUA, constataram que os linfócitos T que tinham como função atacar os tecidos estranhos, eram de alguma forma incapazes de realizar esta tarefa no caso do feto. Com base nesta observação os investigadores colocaram a hipótese da existência de alguma barreira física que impedisse os linfócitos T de atingir o feto.

 

Assim, neste estudo os investigadores centraram a sua atenção na decídua, uma estrutura que envolve o feto e a placenta, tendo descoberto que o início da gravidez faz com que os genes que são responsáveis pelo recrutamento das células do sistema imunológico para locais de inflamação sejam desativados dentro da decídua. Desta forma, os linfócitos T não se acumulam dentro desta estrutura não conseguindo atacar o feto e a placenta. Foi verificado que a implantação do embrião altera os genes que codificam as quimicionas, não sendo estas proteínas expressas e consequentemente os linfócitos T não são recrutados para o local da implantação do embrião.

 

"Esta é uma descoberta muito empolgante, pois explica o motivo pelo qual o feto não é rejeitado durante a gravidez, uma questão fundamental para a comunidade médica que tem grandes implicações na gravidez humana", revelou me comunicado de imprensa Adrian Erlebacher.

 

O investigador explica ainda que a regulação inapropriada deste processo pode causar a inflamação e a acumulação de células do sistema imunitário na interface materno-fetal, que pode conduzir a complicações na gravidez, como ao parto pré-termo, aborto espontâneo e pré-eclampsia.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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