Gravidez: paracetamol associado a perturbação de hiperatividade com défice de atenção

Estudo publicado na revista “JAMA Pediatrics”

28 fevereiro 2014
  |  Partilhar:

A toma de paracetamol, durante a gravidez pode aumentar os riscos das crianças sofrerem de perturbação de hiperatividade com défice de atenção (PHDA) e perturbação hipercinética, defende um estudo publicado na revista “JAMA Pediatrics”.
 

A PHDA é uma doença neurocomportamental comum caracterizada por dificuldade em prestar atenção, hiperatividade, aumento da impulsividade e desregulação motivacional e emocional. A perturbação hipercinética é uma forma particularmente severa da PHDA.
 

"As causas do PHDA e perturbação hipercinética não são bem compreendidas, mas tanto os fatores ambientais como os genéticos contribuem para esta condição. Ao longo das últimas décadas tem havido um aumento rápido na incidência destas doenças neurocomportamentais (…) sendo provável que os fatores ambientais estejam a contribuir para este aumento”, referiu, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Beate Ritz.
 

Assim, neste estudo, os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA e da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, decidiram investigar quais os fatores ambientais evitáveis que poderiam estar associados a esta doença. Uma vez que o paracetamol é o fármaco mais utilizado durante a gravidez, os investigadores decidiram analisar qual o seu efeito.
 

O estudo contou com a participação de 64.322 crianças e respectivas mães. A toma de paracetamol durante a gravidez foi contabilizada três vezes durante a gravidez e seis meses após o nascimento das crianças. Os pais foram submetidos a um questionário específico, capaz de avaliar os sintomas emocionais, problemas de conduta, hiperatividade relação com os pares, comportamento das crianças e adolescentes, entre os quatro e os dezasseis anos. Mais de metade das mães disse ter tomado paracetamol durante a gravidez.
 

Os investigadores constataram que as crianças cujas mães tomaram paracetamol durante a gravidez tinham um risco entre 13 a 37% maior de serem diagnosticadas com perturbação hipercinética, de tomarem medicação para a PHDA ou terem, aos sete anos de idade, comportamentos similares aos presentes na PHDA. Quanto maior era o tempo de toma, mais fortes eram estas associações. O risco de perturbação hipercinética aumentou para 50% ou mais, no caso das mães terem tomado este fármaco ao longo de mais de 20 semanas.
 

Beate Ritz referiu que o paracetamol pode atravessar a barreira da placenta podendo este afetar o desenvolvimento cerebral fetal ao interferir com as hormonas maternas ou através da neurotoxicidade, como a indução de stress oxidativo, que pode causar a morte de neurónios.
 

Os autores do estudo acrescentam que caso estes achados sejam confirmados em estudos posteriores, o paracetamol deve deixar de ser considerado um fármaco seguro na gravidez. 

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.