Gravidez: medicação pode afetar saúde do filho

Estudo publicado na “Psychopharmacology”

01 fevereiro 2012
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A administração de medicação na gravidez pode afetar o desenvolvimento de ansiedade excessiva e depressão no filho, bem como afetar negativamente o comportamento sexual, caso a criança seja do sexo masculino, dá conta um estudo recentemente publicado na “Psychopharmacology”.

 

Em causa está a exposição intrauterina a glucocorticóides (GC) sintéticos, substâncias utilizadas para acelerar a maturação pulmonar fetal e que são dadas a 10 por cento das grávidas.

 

Em declarações à agência Lusa, Mário Oliveira, investigador da Universidade do Minho, revelou que “apesar de estudos em animais e humanos apontarem para efeitos adversos a nível do crescimento do cérebro e outros órgãos em desenvolvimento, o recurso a várias doses persiste na prática clínica”.

 

O estudo analisou o impacto da dexametasona (DEX), um tipo de glucocorticóide sintético frequentemente utilizado neste âmbito, no desenvolvimento do jovem adulto e avaliou as consequências desta exposição pré-natal no comportamento sexual masculino, uma vez que a diferenciação sexual cerebral começa durante a fase final da gravidez.

 

Além do impacto ao nível da ansiedade, os resultados do estudo revelam também que a exposição pré-natal à DEX altera o comportamento relacionado com o medo na idade adulta.

 

Estes traços comportamentais correlacionam-se com uma desregulação do mecanismo de resposta ao stress e com alterações do volume de áreas cerebrais que são responsáveis pela modulação da ansiedade.

 

“A exposição a stress ou níveis elevados de GC durante etapas cruciais do desenvolvimento contribuem para o aparecimento de distúrbios neuropsiquiátricos, nomeadamente a ansiedade e a depressão. É reconhecido que eventos adversos durante fases precoces da vida podem moldar a saúde física e mental do adulto”, revelou Mário Oliveira.

 

Relativamente à repercussão da DEX pré-natal na conduta sexual masculina, verifica-se “um impacto em comportamentos que traduzem uma redução da motivação sexual”.

 

O estudo mostra ainda que a utilização alternativa de GC naturais parece ter efeitos mais ténues, o que leva a acreditar numa possível “reavaliação” e “uso sensato” destas substâncias na prática clínica.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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